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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Missão: Impossível - Nação Secreta


Por Gabriel Fabri

Com Missão: Impossível - Nação Secreta, a série estrelada por Tom Cruise e produzida por J.J. Abrams (que nesse ano dirige o novo Star Wars) chega ao seu quinto episódio. Sem qualquer pretensão de reinventar a franquia, como grande parte das continuações em 2015, a nova sequência mantém o alto nível de qualidade da série e resulta em um ótimo divertimento. 



Na trama, a agência secreta IMF é desmantelada e Ethan Hunt (Tom Cruise) é dado novamente como fugitivo. O problema é que, com a CIA o perseguindo, o agente terá que provar sozinho a existência de uma organização terrorista, chamada de "Sindicato". Para isso, terá a ajuda de um dos integrantes do grupo, a ex-agente britânica Ilsa Faust (Rebecca Ferguson, de Hércules), uma personagem em que não se sabe bem se é possível confiar. 

Dirigido por Christopher McQuarrie, que já havia trabalhado antes com Cruise em Jack Reacher - O Último Tiro, o novo Missão: Impossível entrega o que se espera: perseguições alucinantes, lutas bem coreografadas, uma tenção sexual entre os dois personagens principais, um pouco de humor - tudo isso, de preferência, em locais novos e exóticos. Depois do prédio mais alto do mundo em Abu Dhabi, no quarto filme da série, agora a ação se passa em lugares como no Marrocos, em uma ópera em Viena e na asa de um avião decolando.

O que pode se chamar de novo aqui é a presença da personagem de Rebecca Ferguson, que divide a atenção do espectador com Cruise. Ela é a peça mais importante e interessante do jogo aqui, pois, além de carismática, é uma espécie de agente tripla - ela trabalha para o governo britânico, para os terroristas ou para Hunt? A desconfiança e a simpatia por ela é uma constante na cabeça do espectador. Responsável por revitalizar a franquia em 2006, o produtor J.J. Abrams chegou a Missão: Impossível após realizar a série de TV Alias, sobre uma agente dupla interpretada por Jennifer Garner. O tema não é novo, portanto, mas traz charme e certa sofisticação para a trama. 

Além de Ilsa Faust, o elenco de personagens coadjuvantes funciona, e todos tem um papel importante para a trama e para o desenrolar do filme. Dos rostos mais conhecidos, está o de Alec Baldwin, que terá os seus momentos de humor mais para o final do longa-metragem. Antes disso, o público pode estranhar a seriedade do ator, que costuma interpretar sim personagens sérios, mas sempre com uma veia cômica, sutilmente sarcástica.

Missão: Impossível - Nação Secreta entretém muito, cumprindo à risca a fórmula dos filmes de espionagem. Não há nada de inovador aqui, mas o público sairá satisfeito, e com razão. Fica apenas a sensação de que algo mais ousado poderia ser feito: se "tempos de desespero exigem medidas desesperadas", frase repetida duas vezes no filme, por que não aprofundar a questão do extremismo, por exemplo? Que desespero é esse, afinal? Há apenas uma cena em que, em uma televisão, se fala em crise econômica (e não é aqui no Brasil, vale ressaltar), o que pode passar batido. Não é pedir demais para um "filme-diversão", é?



quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sob o Mesmo Céu



Por Gabriel Fabri

Mitologia havaiana demais, drama de menos. Esse é o ponto fraco de "Sob O Mesmo Céu" (Aloha), novo filme dirigido por Cameron Crowe, o mesmo do inspirador "Compramos Um Zoológico". O longa-metragem, entretanto, reserva boas surpresas, apesar de demorar para decolar. 



Na trama, Brian (Bradley Cooper) é um militar em decadência, que volta à sua terra natal, o Hawaii, para uma missão, pela qual pretende recuperar o seu prestígio na profissão. Lá, é acompanhado pela bela NG, interpretada por Emma Stone, e precisa lidar também com o reencontro com sua ex-namorada, Tracy (Rachael McAdams). Apesar dos conflitos iniciais, Brian e NG rapidamente vão se dar bem. 

Crowe reserva muito tempo do seu longa-metragem para construir as situações - o romance do casal principal vai crescendo aos poucos, o que é bom, mas como a missão deles não é nada interessante e a mitologia havaina começa a ganhar mais destaque do que o necessário, torna o filme um pouco enfadonho. Porém, logo que o romance decola, as coisas melhoram para "Sob O Mesmo Céu", com o público finalmente aliviado que o primeiro passo fora dado.

Dois coadjuvantes fazem toda a diferença no filme: Alec Baldwin e John Krasinski. O primeiro mostra a veia cômica mais para o final do longa-metragem, enquanto o segundo protagoniza os melhores momentos da obra, sem dizer sequer uma palavra. 

Fica a sensação de que os conflitos de Brian com o trabalho e com a família de Tracy ficaram um pouco na superfície. Mas nada que atrapalhe "Sob O Mesmo Céu", que deve agradar os fãs de romance, e a todos que forem assistir ao filme - com destaque para a cena final, simples, mas de uma grande beleza. 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Para Sempre Alice



Por Gabriel Fabri

Na cena mais emocionante de "Para Sempre Alice" (Still Alice), a personagem que dá nome ao filme, interpretada por Julianne Moore, cita o poema "Uma Arte", de Elizabeth Bishop. O texto da poeta norte-americana afirma que "perder não é nada sério". Afinal, perdemos um pouquinho todos os dias. Entretanto, fica difícil acreditar nas palavras de Bishop ao sair da sessão do filme dirigido por Richard Glatzer e Wash Westmoreland. 
O longa-metragem conta a história de Alice, uma renomada professora de linguística da Universidade de Columbia, nos EUA. Aos 50 anos, ela é diagnosticada com um tipo raro de Alzheimer, precoce e genético. Com o apoio do marido, interpretado por Alec Baldwin, e dos filhos, com destaque para Lydia (Kristen Stewart), a caçula, Alice precisa viver cada dia aprendendo, como diz o poema de Bishop, a "arte de perder". No caso, perdendo as suas memórias numa velocidade avassaladora.

"Para Sempre Alice" vai mostrando a progressão da doença aos poucos, mostrando pequenos momentos cotidianos em que a perda de memória de Alice se manifesta. Isso vai acumulando uma certa angústia no espectador, que deve conseguir facilmente se identificar com os problemas da família tentando lidar com a situação da personagem, e também com o medo de perder algo tão essencial quanto ter consciência de quem você é e o que você viveu.

Essa construção do filme soa tão natural, é tão envolvente e sincera, que a obra se sustenta sem ter um clímax bem definido. O que dá mais força ainda para a bela cena final, que encontra na simplicidade a sua potência, um desfecho perfeito e pouco previsível. 

Entretanto, não tem como falar de "Para Sempre Alice" sem comentar a atuação soberba de Julianne Moore, em um dos melhores momentos da sua carreira. Nada soa forçado em seu trabalho, que surpreende transmitindo as dores, as dificuldades e as alegrias da personagem. Não é a toa, portanto, que a atriz tenha sido premiada com Oscar pelo papel. Sua atuação contribui, e muito, para que o filme provoque muitas lágrimas na plateia.  

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