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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Deadpool



No começo de Deadpool, filme baseado nos quadrinhos da Marvel, o personagem que dá nome ao longa-metragem conversa com a plateia: "Você deve estar se perguntando: mas meu namorado me falou que esse era um filme de super-herói". Interpretado por Ryan Reynolds (Lanterna Verde), Deadpool está em busca de vingança, e não de justiça (ou salvar o mundo). Entretanto, apesar de tirar sarro dos filmes de super-herói, o trabalho dirigido por Tim Miller não escapa de ser um deles.


Na trama, Wade Wilson é um criminoso que atua fazendo pequenos favores: amedrontando garotos obcecados por alguma garota, por exemplo. Quando conhece a prostituta Wanessa (Morena Baccarin), os dois se apaixonam, e a relação, recheada de aventuras sexuais, é atrapalhada quando Wade é diagnosticado com um câncer terminal. Diante de uma proposta para curar a sua doença, o homem acaba parando nas mãos do mercenário Francis (Ed Skrein), interessado em mudá-lo geneticamente para torná-lo seu escravo no crime. Tudo dá errado e Wade é dado como morto - entretanto, ele está mais vivo do que nunca: com o poder de se regenerar, Wade se torna Deadpool e parte para a vingança, com o objetivo de consertar a única coisa que seu corpo não consegue - o seu rosto, que ficou completamente desfigurado. 

Tentando subverter as franquias saídas dos quadrinhos, Deadpool usa e abusa de palavrões e piadas de cunho sexual. O contato do personagem com o público, com piadas às vezes com o próprio filme (algumas muito boas, por sinal), também é frequente, e dá certo charme ao filme e ao personagem principal. As piadinhas e a autorreferência estão aí desde a abertura, quando os créditos não trazem os nomes dos envolvidos no filme e sim, digamos, "algumas verdades" - melhor deixar a piada para o filme. Além disso, a obra inclui muitas referências pop (muitas, inclusive, a outros filmes do mesmo estúdio, a 20th Century Fox, como 127 HorasBusca Implacável e a franquia X-Men).

Deadpool é um filme charmoso e engraçado. O personagem principal, um errante, cativa. Mas o longa-metragem peca um pouco pelo excesso: como é de praxe nos filmes da Marvel, há muitas cenas de ação, o que resulta em momentos um tanto tediosos. Em certo ponto, até as tiradas do personagem principal acabam cansando. E aí se percebe o quanto Deadpool, apesar de ser ousado ao ponto de colocar o seu protagonista fazendo sexo anal, por exemplo, ainda é um filme de super-herói, mesmo que o seu protagonista diga o contrário: todo o clímax se desenvolve para salvar a mocinha - e, para isso, o personagem contará com a ajuda de sua equipe, formada por dois mutantes, não muito simpáticos para o público. Mas isso o próprio filme explica, com bom humor: o estúdio não tinha dinheiro para chamar uns X-Men melhores.   

| Gabriel Fabri

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A 5ª Onda



A primeira sequência de A 5ª Onda indica um filme promissor. Escondida na floresta com uma arma, Cassie (Chloë Grace Moretz, do remake de Claire - A estranha) visita um mercado abandonado em busca de alimentos. Encontra um homem ferido - e armado - e não sabe como deve reagir. Para a surpresa do público, ela reage da pior maneira que poderia: esta aí o indício de que o longa-metragem dirigido por J Blakeson (O desaparecimento de Alice Creed) veio para fazer diferença na "onda" de distopias adolescentes. Entretanto, se essa era uma expectativa do público, ela será frustrada ao decorrer da projeção. 



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  • Baseado no primeiro livro da trilogia criada por Rick Yancey (o terceiro e último livro, The Lost Star, tem previsão de lançamento para ainda este ano), A 5ª Onda é centrado em Cassie e acompanha a personagem desde o seu último dia de vida normal: quando ela tem a sua primeira e atrapalhada conversa com Ben (Nick Robinson), um garoto pelo qual ela se sentia atraída. Na manhã seguinte, após uma estranha nave começar a sobrevoar a Terra, tudo seria diferente: a "primeira onda" cortou dos humanos toda a sua energia elétrica - o que derrubou aviões e impediu até a água encanada de funcionar. 

    À medida que acontecem as próximas "ondas", como são chamadas as etapas de destruição da raça humana, Cassie se vê sozinha, tentando se reencontrar com o seu irmão mais novo, que foi levado para uma base do exército norte-americano. No caminho, encontra-se com Evan (Alex Roe), um garoto atlético que resolve ajudá-la na busca pelo menino.

    A primeira cena do filme, sem dúvida a mais impactante da projeção, tem o propósito de mostrar que a protagonista de A 5ª Onda será o que tem de melhor e mais interessante no filme. Logo, veremos o por quê: como a própria atriz sublinhou em entrevista coletiva para a imprensa brasileira, Cassie era apenas uma garota normal, meio introvertida e preocupada com os estudos e com os garotos, muito diferente das super-heroínas das franquias Jogos Vorazes ou Divergente, por exemplo. Entretanto, logo de início, vemos ela em uma situação extrema. Narrando em primeira pessoa, recurso frequente por toda a trama, ela faz a seguinte constatação, logo após a sequência inicial: "me pergunto o que a Cassie antiga acharia da nova". O público provavelmente ficará com essa afirmação na cabeça, se já não tiver uma resposta pronta para ela. 

    Se o longa-metragem explorasse melhor esse mote - a luta não só para sobreviver ou para salvar o irmão, mas para permanecer humano (Como se destrói uma raça inteira? Tirando a sua humanidade, segundo a protagonista, em um momento de sua narração) - A 5ª Onda poderia ser melhor. Mas tudo no longa-metragem é ou batido ou infantilizado demais, e a própria Cassie parece em momentos ter se esquecido de que ela é só uma garota normal e não Katniss Everdeen (a protagonista de Jogos Vorazes). Isso pois o filme adota o tom de aventura teen, quando poderia ser muito mais intenso do que isso. Às vezes, dá até vontade de participar do fim do mundo também. 

    Para piorar, muitas coisas não convencem. O principal deles é o romance entre Cassie e Evan, que soa tão irreal quanto um conto de fadas. Trazer questões como sexualidade na adolescência, atração, sempre é um tempero a mais, se bem trabalhada. Aqui não é, e A 5ª Onda acaba lembrando um pouco A Saga Crepúsculo, o que não é um bom sinal. Para piorar, há reviravoltas óbvias, soluções fáceis demais e coadjuvantes sem sal, como a exagerada Ringer (Maika Monroe, de Corrente do Mal), incumbida de inserir um discurso feminista no filme, sem a menor sutileza (meio que sinalizando "olha como somos progressistas"), e depois sendo apagada ao longo do resto da projeção. 

    A 5ª Onda soa como uma mistura mal feita de Jogos Vorazes Maze Runner com alguns exemplos óbvios de ficção científica como Guerra dos MundosO Dia Em Que A Terra Parou, embora tenha bons momentos de humor e ação. Tudo isso, já preparando um triângulo amoroso para o próximo filme, é claro. Com certeza será um salto na carreira de Chloë Grace Moretz, mas é uma pena que o longa-metragem não agregue muito à onda de distopias adolescentes. Se depender deste filme, a onda já virou marola.   

    | Gabriel Fabri

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    *O Blogueiro assistiu ao filme a convite do site Mundo Blá

    quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

    Os Oito Odiados



    Após fazer um divertido faroeste em Django Livre, o cineasta Quentin Tarantino se inspira novamente na temática em Os Oito Odiados, o seu oitavo longa-metragem. Abordando mais uma vez a questão do racismo, o diretor faz um filme mais teatral, passado dentro de uma casa em quase toda a sua totalidade. 




    Na trama, um caçador de recompensas atravessa a neve em uma carroça levando uma assassina como prisioneira, interpretada por Jennifer Jason Leigh. Conhecido como o "enforcador" por entregar as suas vítimas vivas para a justiça (que as condena à morte por enforcamento), John Ruth (Kurt Russell) arruma dois empecilhos em sua viagem: diante da ameaça de uma tempestade, ele dá carona para outro caçador de recompensas, Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson), e um homem que diz ser o novo xerife da cidade para onde John está indo. Os quatro, junto com o motorista da carroça, param em um bar para esperar a tempestade passar, onde ficam confinados com mais outros três homens.

    Apesar de mostrar que continua afiado na construção de diálogos e na direção dos atores, Tarantino realiza com Os Oito Odiados talvez o menor filme de sua carreira. Há pouca ação, poucas referências à cultura pop, e o enredo é bastante fraco, do começo ao fim. Com apenas alguns momentos interessantes, como a sugestão hilária de dividir o bar entre norte e sul, como na guerra de secessão, o longa se arrasta, apesar do esforço dos atores e do cuidado, não só na direção do elenco, como na construção dos personagens - o destaque é para a atriz Jennifer Jason Leigh, no papel mais interessante do filme.

    Com muito sangue, humor e diálogos, marcas do estilo do diretor, o filme prende atenção em alguns momentos, mas a sensação que fica é que Tarantino perdeu a mão e fez um filme aquém dos anteriores. Falta criatividade no enredo e um maior aproveitamento do tempo. Matar o público de tédio nunca foi uma característica de seus filmes, afinal. E entre as questões discutidas em Os Oito Odiados, há pouco a agregar à filmografia tão rica do diretor. 


    terça-feira, 24 de novembro de 2015

    Jogos Vorazes: A Esperança - O Final



    Chega ao fim a maior franquia adolescente dos últimos anos, Jogos Vorazes, também a série com alguns dos filmes de ação mais inteligentes já feitos por Hollywood. A cada longa-metragem, a saga de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) superou as expectativas e entregou um filme melhor que o outro. Com forte conteúdo político e muita ação, a série baseada nos romances de Suzanne Collins tem o seu derradeiro desfecho em Jogos Vorazes: A Esperança - O Final, segunda parte do último capítulo da trilogia. Apesar de não ser o melhor da franquia, mostrando alguns sinais de esgotamento, o filme entrega um final digno e fora do comum para a série. A direção é novamente de Francis Lawrence, que assumiu a franquia em Em Chamas.  

    Essa segunda parte retoma o final do terceiro longa-metragem, em que Katniss foi agredida por Peeta (Josh Hutcherson), entregue ao décimo terceiro distrito com a sua memória confusa, e apenas a certeza de que sua ex-aliada era uma ameaça. Enquanto a guerra à Capital segue em curso, com mais distritos aderindo às forças rebeldes, a presidente Coin (Julianne Moore) pede que Katniss descanse. Ela, entretanto, tem outros planos: para por um fim no sofrimento de todos, Katniss vai matar o presidente Snow (Donald Sutherland). É a última chance do público de ver em cenas inéditas o ator Philip Seymour Hoffman, que faleceu antes de terminar as filmagens.        

    Depois de três filmes, é de esperar que a série não tenha muito mais o que dizer. Após a excelente primeira parte, a expectativa para A Esperança - O Final era de muita ação. Estamos falando, é claro, de uma guerra que chega ao seu clímax e, a esse ponto, as reflexões que o filme poderia provocar sobre a sociedade midiática ou sobre autoritarismo, muitas vezes ditos em nome da "paz" ou da "segurança", parecem já ter sido aproveitadas com esperteza nos longas anteriores. Entretanto, o romance de Collins pedia um tratamento diferente - e como os filmes, todos eles, optaram pela fidelidade ao livro, o mesmo ocorre neste derradeiro capítulo. Ora, Katniss não é uma guerreira nesta guerra e, neste filme, ela não assume a posição de líder: ela anda às margens do confronto, com a sua equipe, atrás de um objetivo secreto, o assassinato do líder da Capital. 

    Assim, os discursos estimulados de "vamos nos libertar da opressão" dão lugar a dúvidas e mais dúvidas, entre alguns obstáculos que o grupo enfrenta para chegar ao coração da Capital - sim, um novo Jogos Vorazes, mas dessa vez sem a necessidade de matar os colegas, embora haja a dúvida sobre confiar ou não em Peeta, um ponto forte na narrativa desse filme. E o brilhante final criado por Collins levanta mais questões a respeito do poder, do autoritarismo e da falsidade dos discursos que prometem o novo fazendo o velho. 

    Quem pensou que veria um filme só com ação errou, pois, assim como no episódio anterior, a ação aqui é secundária. Na cena de ação mais importante do filme, a heroína não salva o mundo com o seu arco e flecha, e sim, corre sem rumo, e assiste a tudo com uma sensação de impotência. Katniss, personagem que revelou para as massas Jennifer Lawrence, uma das maiores atrizes da atualidade, é complexa, é humana. E o filme não falha nessa construção: por trás da imagem forte do Tordo, há uma pessoa como outra qualquer - ok, é uma mulher muito forte e corajosa, mas também tem os seus medos e as suas paixões. E por falar em paixões, até quem ela "escolhe", entre Peeta e Gale, é um ato político nesse filme, um detalhe que pode até passar desapercebido, mas que não deve.

    O novo Jogos Vorazes, entretanto, pode deixar uma sensação de que algo ficou faltando. Justamente por não ter ação demais (o que tem é uma repetição mais chata dos filmes anteriores), ou um grande ato heroico, esperado por quem não leu o livro. Isso é somado a detalhes como a frieza na morte de uma personagem, que explode sem qualquer emoção, câmera lenta ou música melodramática - o que não é algo ruim, pelo contrário. Afinal, os filmes da franquia nunca foram como outros filmes de ação quaisquer. E nesta guerra, travada não mais na arena de um violento Big Brother mas na vida real, o glamour das batalhas não existe mais. Por que, enquanto acompanha a saga para matar Snow, o público se pergunta se aquele caminho é o certo a se trilhar. Vibrar com Katniss Everdeen fica mais difícil porque fica mais claro que ela, apesar de toda a sua coragem e autonomia, é em todo momento uma peça no jogo de alguém, mesmo que tente fugir disso. E o público, assim como a personagem, começa a ver que nem tudo é preto ou branco, vilões ou mocinhos, como se acreditava.  

    | Gabriel Fabri          

    domingo, 8 de novembro de 2015

    Como Sobreviver a um Ataque Zumbi


    Por Gabriel Fabri

    Na cola de Zumbilândia e Meu Namorado é um Zumbi, comédias que misturam filmes de zumbi com filmes adolescentes, o longa-metragem Como Sobreviver a um Ataque Zumbi, de Christopher Landon, apresenta tudo o que se pode esperar dele: referências à cultura pop, humor negro, muita correria e sangue, em meio à chance de jovens desajustados provarem que podem ser melhores do que aparentam.



    Na trama, três amigos vão acampar no dia em que os alunos do último ano estão dando uma festa secreta. É uma data especial para Augie (Joey Morgan), em que ele deveria receber a medalha máxima entre os escoteiros. Cansados da má fama que levam por participar do grupo, Ben (Tye Sheridan) e Carter (Logan Miller) decidem abandonar o amigo na floresta e ir para a festa, o que pode ser a chance de suas vidas de iniciarem sua vida sexual (ou melhor, social). Já com as camisinhas no bolso, eles encontram, porém, um obstáculo no caminho: a cidade inteira se transformou em um cenário apocalíptico, onde boa parte das pessoas foram transformadas em zumbis. Com a ajuda da garçonete Denise (Sarah Dumont), que trabalha em um clube de strip-tease mas não é stripper (sabe-se lá o porquê desse moralismo, como se ela não pudesse ser stripper para ter a simpatia do público, o que é uma bobagem), eles precisam salvar os seus pescoços e encontrar Kendall (Halston Sage), a irmã de Carter por quem Ben está apaixonado. 

    Embora às vezes soe forçada demais, como em sua sequência inicial, a comédia garante bons momentos de humor e adrenalina, como a impagável cena do trampolim e também a que um zumbi canta "Baby One More Time", de Britney Spears. Com enredo simples e alguns truques previsíveis, o filme não impressiona, mas diverte. O ponto forte é que Como Sobreviver a um Ataque Zumbi fala abertamente sobre sexo - o que o faz parecer ousado em alguns momentos. Se essa questão, tão cara na adolescência, fosse explorada com um pouco mais de complexidade, talvez o filme conseguisse um resultado melhor - não há um pio sobre experimentar a homossexualidade e a personagem de Denise, enfim, seria bem mais interessante se o seu trabalho no clube de strip-tease, mesmo apenas como garçonete, agregasse algo à trama, além de uma sequência engraçada. No fim das contas, é um filme mediano sobre garotos que querem se firmar e "ver uns peitinhos". Muitos meninos certamente vão se identificar com os personagens. 

    quinta-feira, 8 de outubro de 2015

    Horas de Desespero



    Por Gabriel Fabri

    Estrelado por Owen Wilson e Lake Bell, Horas de Desespero tem um começo nada promissor. Jack Dwyr chega com sua esposa e suas duas filhas para um país na Ásia, que tudo indica ser a Cambodia. Após uma tentativa de ser engraçado com um taxista que acredita ser parecido com o músico country norte-americano Kenny Rogers (Sahajak Boonthanakit), o filme apresenta a família chegando no hotel, onde nada funciona: celular, telefone, internet. Bem-vindo ao terceiro mundo? "Na verdade, aqui é o quarto mundo", responde preconceituosamente o personagem de Wilson, sem saber exatamente o que isso quer dizer.


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    • Famoso por seus papéis em comédias, Wilson aqui sai do seu lugar comum e se aventura em um suspense. Isso pois logo acabam as tentativas constrangedoras de Horas do Desespero ser engraçadinho e o longa-metragem decola com força. Ao sair para comprar um jornal de três dias atrás, Jack se vê no meio de um confronto entre polícia e uma milícia. Vitoriosa, a numerosa gangue segue em direção ao hotel onde a família do norte-americano está hospedada. Na porta do prédio, eles executam um outro estadunidense que estava hospedado. Começa então uma caçada aos estrangeiros, da qual Jack é um dos alvos principais - e diante desses rebeldes, nem as filhas do personagem serão poupadas, se ficarem na mira das espingardas. 

      Diretor do claustrofóbico Demônio e de Quarentena, refilmagem norte-americana do terror espanhol Rec, John Erick Dowdle trabalha bem o suspense do filme, diante de uma ameaça que não é sobrenatural, como nas suas obras anteriores. O ritmo é alucinante, a tensão é grande e a crueldade também. Misturando ação e terror, o filme surpreende positivamente e algumas cenas são chocantes. Como a sequência em que os quatro precisam pular de um prédio para outro para sobreviver - algo que vemos tanto em filmes de ação, aqui é tratado com o horror necessário: como um pai pode pedir para uma menina que não deve ter nem seis anos dar um salto desses? E essa nem é a cena mais tensa do filme. 

      No único momento em que o filme dá um descanso para o espectador, há ainda espaço para uma reflexão sobre toda a situação, impulsionada pelo personagem misterioso de Pierce Brosnan (ex-James Bond na série 007).  A crítica é ao imperialismo, a dominação econômica dos países ocidentais sob os subdesenvolvidos, que inclui a exploração de mão de obra barata e o controle de recursos naturais. Na trama do filme, o caso é a água, que passaria ao controle das empresas estrangeiras. Hammond, o personagem de Brosnan, diz que os rebeldes são como o personagem de Wilson: estão lutando pelos seus filhos. Apesar desse discurso clichê, que supostamente deveria humanizar os vilões do filme. o longa-metragem é tão bem construído que essa afirmação tola logo se perde - matar todo mundo a sangue frio não é luta. Além de descarregar muito adrenalina nos espectadores, Horas do Desespero impulsa essa reflexão sobre o uso da violência por questões políticas, e também sobre o uso dela para a sobrevivência. 

      segunda-feira, 14 de setembro de 2015

      Maze Runner: Prova de Fogo


      Por Gabriel Fabri

      No primeiro filme da série Maze Runner, um grupo de jovens, cujas memórias foram totalmente apagadas, esteve preso no centro de um labirinto misterioso. Na tentativa de escapar daquela prisão a céu aberto, alguns escolhidos corriam no labirinto, que entrava em mutação todos os dias e fechava as suas portas à noite. Ninguém que ficou fora da aldeia depois do fechamento da passagem sobreviveu para contar a história. Até a chegada de Thomas (Dylan O'Brien), um garoto um tanto ousado, um tanto inconsequente, que lidera uma tentativa de abandonar de vez o centro do labirinto.



      O diretor Wes Ball retorna para Maze Runner: Prova de Fogo, o segundo filme da trilogia baseada nos livros de James Dashner. O novo longa-metragem guarda pouco do primeiro filme: os jovens não são enviados novamente para um labirinto ou para um outro teste, como sugeriu o final de Maze Runner - Correr ou Morrer. Seriam, na verdade, drenados em um laboratório, se não fosse pela tentativa de Thomas de novamente fugir. Perdidos no deserto, eles devem lidar com zumbis, enquanto fogem dos agentes da WICKED, empresa que procura uma cura para a doença que transformou em mortos-vivos toda a população da terra.

      De uma aventura adolescente distópica, que lembrava Jogos Vorazes, Prova de Fogo se aproxima mais de um filme trash de zumbis - com a diferença, é claro, de que os efeitos especiais e as cenas de ação são muito mais bem elaboradas do que as de qualquer filme de terror B. Virou um episódio menos violento de Resident Evil com rostos jovens e sonhadores. O que fica do primeiro Maze Runner é a questão da corrida: correr no deserto, em meio aos zumbis, é muito mais alucinante. E nesse quesito, os fãs do primeiro filme não sairão decepcionados, afinal, o novo longa-metragem tem muito mais ação e é adrenalina pura. 

      Ao contrário do primeiro filme, não há uma premissa criativa em Prova de Fogo. O que torna o filme acima da média é uma questão interessante que é colocada em cena pela personagem Teresa (Kaya Scodelario): se esses jovens são a chave para encontrar uma cura para a humanidade, faz mais sentindo fugir da corporação e lutar pela sua liberdade, ou é melhor ficar e aceitar a ser cobaia para salvar o mundo? Esse dilema é sutil, mas muito bem colocado no filme, e pode provocar o espectador que facilmente é levado a torcer pelo herói. É fácil torcer por Thomas e os amigos. Mas qual é o seu plano para salvar a todos? O personagem pensa apenas em seu grupo, assim como a WICKED só pensa no seu. Até que ponto eles são assim tão diferentes? Questões que o terceiro longa-metragem deve, ou não, responder. Mas o mérito aqui é mostrar que, por trás de uma dualidade maniqueísta, há sempre algo mais complexo do que os simples reducionismos.

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      quinta-feira, 10 de setembro de 2015

      Nocaute


      Por Gabriel Fabri

      Filmes sobre boxe costumam render performances "oscarizáveis" e bons dramas. Vide os premiados Menina de Ouro e Foxcatcher, longas-metragens de altíssimo nível, em todos os sentidos. Dirigido por Antoine Fuqua (Dia de Treinamento), Nocaute não tem uma trama lá tão criativa, mas pode figurar facilmente no hall dos grandes filmes que tem como pano de fundo esse violento esporte. 



      O mérito de Fuqua é que desde a primeira cena até o terceiro ato do filme, Noucaute prende a atenção com muita facilidade. O grande Billy Hope (Jake Gyllenhaal, de O Abutre), campeão invicto, ameaça amargar a sua primeira derrota, em um conflito violento no ringue. A narração do comentarista e os olhares aflitos de sua esposa Maureen (Rachel McAdams) contribuem com o suspense e, logo na primeira cena, o público está ganho, pois, além da sequência ser emocionante, fica claro que daquele momento em diante o personagem irá ladeira abaixo. E isso não tarda a acontecer. Fora do ringue, Hope é nocauteado sem dó pelos acontecimentos da vida.

      O sobrenome do protagonista, Hope, quer dizer em português "esperança". Não é a toa que temos aqui uma história em que o personagem chega ao fundo do poço e tenta dar a volta por cima. Se a esperança é a última que morre, essa é a essência do filme. O arco narrativo mostra a destruição rápida do boxeador, e a sua lenta recuperação - ou, tentativa de.

      Com atuação excelente de Gyllenhaal, e o bom reforço da atriz Clare Foley, no papel de sua filha, o filme acerta a mão e convence, trabalhando bem a história e os personagens. A melhor cena do longa-metragem é, justamente, uma briga entre os dois - alias, a tentativa de reconquistar a filha é o que torna Billy um personagem tão carismático diante do público. Um filme sobre família, portanto. A falsa família, representada pelo personagem do 50 Cent, e a família real, aquela que vale a pena lutar. 

      Não há nada muito de inovador nessa trama, principalmente ao colocar como clímax uma luta (a do início foi muito mais emocionante, embora a atuação de Foley nessa cena, assistindo a luta, dê um tempero a mais), mas Nocaute impressiona. Poderia também ter trabalhado melhor a questão da vingança, que fica em segundo plano, mas nada que atrapalhe o filme. 

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      quinta-feira, 3 de setembro de 2015

      Entrando Numa Roubada



      Por Gabriel Fabri

      Um road movie de ação é algo raro no cinema nacional. Ainda mais com a premissa interessante de Entrando Numa Roubada, em que um grupo de artistas de cinema decadentes se reúne para fazer um novo filme, que pode ser a sua última chance de conseguir prestígio na área. Mas o diretor e um dos atores tem outros planos: sem que o resto do elenco saiba, os assaltos do filme, e todas as outras situações do roteiro, serão reais.



      Apesar do começo ruim, com cenas pouco engraçadas, exageradas; uma introdução desnecessária dos personagens que imita quadrinhos; e uma narração em off que trabalha constantemente para deixar tudo mais desinteressante do que parece, o filme engrena em uma divertida comédia de ação. O primeiro assalto é hilário e a cena de perseguição na estrada, também.

      Entretanto, o longa-metragem é cheio de problemas. Tocando no tema delicado das igrejas evangélicas, o filme exagera na caracterização do pastor que explora os seus fiéis, perdendo a naturalidade da situação. A crítica vira deboche. Para piorar, todos os personagens são assim, caricatos. Quem se dá melhor é a personagem de Ana Carolina Machado como a estagiária de produção. Entretanto, no ponto alto do filme, sua personagem dá uma reviravolta pouco crível. E o filme desemboca em um desfecho decepcionante, que trata da vingança sem a seriedade que o tema merece, como se fosse algo legal ou justificável. 

      Longa-metragem de estreia de André Moraes, Entrando Numa Roubada perde a chance de ser uma boa comédia de ação. Tem ousadia para mexer com o tema do abuso econômico das igrejas, pauta importante da atualidade, tem uma boa história e bons momentos. Entretanto, tudo aqui é caricato, e o que poderia render boas discussões acaba ficando superficial e exagerado demais. 

      Integram também o elenco Deborah Secco, Lucio Mauro Filho, Marcos Veras, Julio Andrade e Bruno Torres.

      segunda-feira, 24 de agosto de 2015

      O Expresso do Amanhã


      Por Gabriel Fabri

      Baseado na HQ francesa O PerfuraneveO Expresso do Amanhã tem uma premissa interessante. Para solucionar o aquecimento global, as principais potências do mundo decidiram jogar, nos quatro cantos do planeta, uma substância química para resfriar toda a terra. A ideia deu errado e, como na história bíblica de Noé, poucos sobreviveram ao inverno eterno, exceto os confinados em uma espécie de arca moderna - um misterioso trem que corre sem pausas há exatos 17 anos. 



      Só que não foram selecionados dois animais de cada espécie, e sim indivíduos de três classes sociais - a elite, a classe média e a classe trabalhadora. E eles não se misturam no trem, com exceção dos guardas que entregam as barras de proteínas (a única comida destinada aos mais "pobres") e a Ministra (Tilda Swinton), que vem dar as lições de moral para os membros dos vagões traseiros. No cenário do "trem da vida", tudo remete à morte, e de alguma forma os miseráveis deveriam ser gratos por isso. Mas Curtis (Chris Evans) não é, e planeja, com o amigo Edgar (Jamie Bell), uma revolução: tomar o controle do trem das mãos de Wilford (Ed Harris), dono da empresa que construiu o veículo. 

      Até mais ou menos a metade da projeção, O Expresso do Amanhã parece mais um filme distópico, sem muito a oferecer. Pobres oprimidos, mantidos miseráveis pelo bem material de poucos, em um futuro desolador. O problema é que fica difícil se envolver com os personagens e as cenas de ação demoram a empolgar, ainda mais com a interpretação exagerada de Swinton como uma das vilãs, que reforça o maniqueísmo dos "ricos contra os pobres" sem muita sofisticação. Mas, na medida em que os personagens avançam nos vagões, em direção à parte mais nobre, o longa-metragem começa a ficar interessante. 

      A sequência do "vagão-escola", em especial, é brilhantemente bizarra e, a partir daí, o filme decola com um clímax que mostra o quanto a realidade do trem é próxima à nossa realidade, e o quanto as duas são cruéis, colocando em dúvida o protagonista sobre o futuro do trem. Além do mais, uma confissão emocionante de Curtis traz o que faltava, um pouco de vida aos personagens. Sem falar nada sobre o passado e sem perspectiva para o futuro, os indivíduos da traseira do trem são quase zumbis, e, bom, embora isso reforce o quão cruel é a ditadura do trem, é difícil para o espectador se envolver com personagens rasos, sobre os quais pouco foi apresentado. 

      Dirigido pelo coreano Bong Joon-ho, O Expresso do Amanhã é um filme irregular, mas tem conteúdo. O grande acerto aqui talvez seja trabalhar o personagem de Curtis não como um herói, mas como uma peça da engrenagem do sistema, como todos os outros, por mais que ele seja o líder. Isso torna o longa-metragem mais duro, mas o torna também mais real.

      terça-feira, 11 de agosto de 2015

      Missão: Impossível - Nação Secreta


      Por Gabriel Fabri

      Com Missão: Impossível - Nação Secreta, a série estrelada por Tom Cruise e produzida por J.J. Abrams (que nesse ano dirige o novo Star Wars) chega ao seu quinto episódio. Sem qualquer pretensão de reinventar a franquia, como grande parte das continuações em 2015, a nova sequência mantém o alto nível de qualidade da série e resulta em um ótimo divertimento. 



      Na trama, a agência secreta IMF é desmantelada e Ethan Hunt (Tom Cruise) é dado novamente como fugitivo. O problema é que, com a CIA o perseguindo, o agente terá que provar sozinho a existência de uma organização terrorista, chamada de "Sindicato". Para isso, terá a ajuda de um dos integrantes do grupo, a ex-agente britânica Ilsa Faust (Rebecca Ferguson, de Hércules), uma personagem em que não se sabe bem se é possível confiar. 

      Dirigido por Christopher McQuarrie, que já havia trabalhado antes com Cruise em Jack Reacher - O Último Tiro, o novo Missão: Impossível entrega o que se espera: perseguições alucinantes, lutas bem coreografadas, uma tenção sexual entre os dois personagens principais, um pouco de humor - tudo isso, de preferência, em locais novos e exóticos. Depois do prédio mais alto do mundo em Abu Dhabi, no quarto filme da série, agora a ação se passa em lugares como no Marrocos, em uma ópera em Viena e na asa de um avião decolando.

      O que pode se chamar de novo aqui é a presença da personagem de Rebecca Ferguson, que divide a atenção do espectador com Cruise. Ela é a peça mais importante e interessante do jogo aqui, pois, além de carismática, é uma espécie de agente tripla - ela trabalha para o governo britânico, para os terroristas ou para Hunt? A desconfiança e a simpatia por ela é uma constante na cabeça do espectador. Responsável por revitalizar a franquia em 2006, o produtor J.J. Abrams chegou a Missão: Impossível após realizar a série de TV Alias, sobre uma agente dupla interpretada por Jennifer Garner. O tema não é novo, portanto, mas traz charme e certa sofisticação para a trama. 

      Além de Ilsa Faust, o elenco de personagens coadjuvantes funciona, e todos tem um papel importante para a trama e para o desenrolar do filme. Dos rostos mais conhecidos, está o de Alec Baldwin, que terá os seus momentos de humor mais para o final do longa-metragem. Antes disso, o público pode estranhar a seriedade do ator, que costuma interpretar sim personagens sérios, mas sempre com uma veia cômica, sutilmente sarcástica.

      Missão: Impossível - Nação Secreta entretém muito, cumprindo à risca a fórmula dos filmes de espionagem. Não há nada de inovador aqui, mas o público sairá satisfeito, e com razão. Fica apenas a sensação de que algo mais ousado poderia ser feito: se "tempos de desespero exigem medidas desesperadas", frase repetida duas vezes no filme, por que não aprofundar a questão do extremismo, por exemplo? Que desespero é esse, afinal? Há apenas uma cena em que, em uma televisão, se fala em crise econômica (e não é aqui no Brasil, vale ressaltar), o que pode passar batido. Não é pedir demais para um "filme-diversão", é?



      quarta-feira, 5 de agosto de 2015

      Quarteto Fantástico


      Por Gabriel Fabri

      A história do Coisa, do Tocha-Humana, da Mulher Invisível e do Homem Elástico ganha uma nova adaptação nos cinemas com Quarteto Fantástico, dirigido por Josh Trank (Poder Sem Limites). Assim como em O Espetacular Homem-Aranha, a Marvel aposta em recomeçar do zero a franquia do grupo de personagens. O novo longa-metragem, entretanto, erra no clímax, mas acerta ao adotar um tom mais adulto. 
      O mais interessante do novo Quarteto é resolver um problema que acomete longa-metragens como Os Vingadores - A Era de Ultron: o excesso de ação. Ao recontar a história dos personagens, o filme de Trank desenvolve com calma cada um deles, dando tempo para o público se envolver com seus sonhos, medos e anseios. Reed, o garotinho genial cujo talento não é reconhecido por ninguém; seu único amigo Ben, que fica ao seu lado após encontrar, nos experimentos na garagem de Reed, um refúgio para a relação conturbada com o irmão; Sue, a filha perfeita, adotada por Franklin Storm, seu futuro chefe e mentor; Johnny, um garoto um pouco rebelde e filho biológico de Storm.  

      Muito barulho foi criado em torno desse novo grupo apresentado no longa-metragem de Trank, com a escalação de um ator negro para viver Tocha-Humana - nos filmes anteriores e nos quadrinhos, o personagem é branco. A mudança não faz realmente nenhuma diferença para a trama em si, na medida em que o racismo não é colocado como tema no filme, mas de qualquer forma é sempre positivo ver os negros ganhando mais espaço no cinema. Entretanto, mais importante do que tentar criar polêmica em torno dessa escalação (e daí que não é fiel aos quadrinhos?) é ver o que tem realmente de novo nesse Quarteto: agora, os quatros "fantásticos" não são mais jovenzinhos descolados, sex symbols em trajes ajustadinhos, com seus poderes incríveis, prontos para salvar o mundo. Acabou o glamour.  

      Aqui temos quatro garotos (cinco, se for contar com Victor  Domashev, o mais rebelde do grupo de cientistas) completamente desajustados. Eles são nerds, não vão a festas, não tem relacionamentos amorosos, não fazem uma faculdade tradicional como a grande maioria dos jovens. Pelo contrário, estão sempre confinados no laboratório. Os personagens do novo Quarteto se aproximam mais então de Peter Parker antes de virar o Homem-Aranha do que, por exemplo, do time de Os Vingadores. Está aí algo que pode desagradar em cheio o grande público: nesse filme, ninguém vai sonhar com os super-poderes ou sair do cinema pensando "poxa, que legal ser o Tocha-Humana". Pelo contrário. Nesse sentido, esse Quarteto Fantástico é muito mais frio que os antecessores - aliás, mais frio que qualquer filme da Marvel recente. Não há espaço para o humor dos outros filmes da série ou para romance, deixando o foco na realização e fracasso profissional de cada um deles e na necessidade de aprovação dos pais, ou do mentor. Essa problemática da família é o que parece conectar todos esses personagens - todos têm os seus problemas familiares, e o laboratório constitui a sua nova "casa", para o bem ou para o mal.

      Os personagens serem jovens mais reservados ou o filme ser mais frio em relação a qualquer outro filme de super-herói da Marvel - e sem a densidade de um Batman, da DC Comics, por exemplo - não é um problema. Pelo contrário, é interessante ver uma história de super-herói mais "séria". O que enfraquece o novo Quarteto é o seu clímax desastroso. Tudo ia razoavelmente bem, até que começam frases de efeito como "você não pode mudar o passado, mas pode mudar o futuro" e o vilão é posto em ação. Oras, o longa-metragem poderia explorar um vilão fantástico em mãos - o governo dos Estados Unidos, que quer transformar os quatro em armas militares, que finge estar interessado em arrumar uma cura para as anomalias e que os torna ainda mais frustados, confinados sob uma porção de testes científicos e treinamentos militares. Sem amor, diversão, entretenimento ou ar puro. Mas, não, o quarteto tinha que salvar o mundo de alguma forma, e não é se rebelando como o público anseia. É lutando contra uma criatura risivelmente sem graça e pouco convincente, em outra dimensão. E um filme de ação que concentra a ação toda no clímax não pode entregar algo tão broxante, sem sal, quanto a luta final. Nunca salvar o mundo pareceu tão banal.

      Quarteto Fantástico perde a chance de ser uma fantasia sofisticada, resultando em um entretenimento passageiro, facilmente esquecível. Há ousadia em menosprezar a ação (deixando de lado o 3D, a nova galinha de ouro de Hollywood) e em trazer um protagonista negro, mas falta um vilão à altura - tinham um, mas que foi deixado de lado, para manter a questão do fantástico, talvez, e não ficar realista ou adulto demais. Uma pena, pois a reinvenção dessa franquia se apresenta de maneira promissora, mas não conclui o que promete.

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      segunda-feira, 20 de julho de 2015

      Jogada de Mestre


      Por Gabriel Fabri

      O sequestro que, até então, pediu o maior valor para um resgate já pago. O dinheiro, 35 milhões de dólares, que hoje, mais de trinta anos depois, ainda não foi recuperado por inteiro. Isso não significou que o crime, realizado por um grupo de cinco amigos, todos amadores se tratando de sequestros, tenha sido bem sucedido ou, tampouco, uma "Jogada de Mestre" ("Kidnapping Mr. Heineken"), como afirma o irônico título nacional do filme dirigido por Daniel Alfredson, diretor dos últimos dois filmes da trilogia sueca "Millennium". 


      O longa-metragem conta a história do sequestro do presidente da marca de cerveja Heineken, ocorrido em Amsterdam no ano de 1982. Um grupo de jovens se dá conta de que não possuem mais nada de valor na vida do que a sua liberdade e resolve apostá-la nesse sequestro - uma aposta bastante alta para um bando de principiantes no mundo do crime. Logo, eles descobrem que o mais difícil não era roubar um banco ou sequestrar um dos homens mais ricos do mundo - e sim, o que fazer quando não há mais volta, com o milionário, interpretado por Anthony Hopkins, em cativeiro. 

      "Jogada de Mestre" tem um desempenho satisfatório na condução da história, que consegue segurar a atenção do espectador, mesmo com o roteiro e personagens fracos. Os conflitos entre os sequestradores parecem batidos, não empolgam muito, principalmente pois fica difícil criar alguma empatia com eles - são muitos personagens, todos parecidos e pouco interessantes. O personagem mais marcante ali é mesmo a vítima do sequestro, mas mesmo com um ator experiente como Hopkins, a melhor cena dele são alguns instigantes flashes na abertura. O filme diverte, mas, ao final, o envolvimento é tanto que pouco importa quem vai se safar ou não desse crime mirabolante.  Faltou um tempero.

      Um diferencial, entretanto, é que em "Jogada de Mestre" o público não acompanha a investigação da polícia sobre o caso. Enxerga tudo, portanto, da perspectiva dos criminosos. Por isso, seria tão importante que os sequestradores fossem melhor trabalhados nesse longa-metragem. Criar confusão por causa de uma folha de papel em uma copiadora, por exemplo, é fraco demais para um filme "de mestre". 

      quarta-feira, 1 de julho de 2015

      O Exterminador do Futuro: Gênesis


      Por Gabriel Fabri

      Na onda dos reboots que têm marcado os lançamentos nos cinemas de 2015 – Jurassic Park, Mad Max, Star Wars - a franquia que alçou o austríaco Arnold Schwarzenegger ao estrelato também ganha uma nova sobrevida. Após uma tentativa fracassada de tentar reiniciar a franquia em 2009, com O Exterminador do Futuro – A Salvação, e uma divertida série de TV (O Exterminador do Futuro - As Crônicas de Sarah Connor), que durou apenas duas temporadas, a série recupera o seu astro, com Schwarzenegger repetindo o papel do andróide T-800, e acerta a mão com uma divertida trama. 



      No ano de 2029, John Connor (Jason Clarke) e Kyle Reese (Jai Courtney) conseguem destruir a Skynet, o sistema que se rebelou contra os humanos e produziu o dia do Julgamento Final, retratado no terceiro filme da franquia. Entretanto, a ação foi tarde demais. A Skynet já tinha mandado para 1984 o robô T-800 para matar Sarah Connor (Emilia Clarke). Os fãs do filme original vão ficar nostálgicos em O Exterminador do Futuro - Gênesis com a cena praticamente idêntica ao primeiro longa-metragem, da chegada do personagem de Schwarzenegger nu, roubando as roupas de uns jovens que brincavam com o telescópio. Entretanto, dessa vez, T-800 não consegue completar o roubo – a verdade é que alguém já havia mandado um exterminador do mesmo modelo para proteger Sarah, quando ela tinha 9 anos, e os dois entram em combate. 

      Quando Reese chega do futuro para proteger Connor, ele se depara com a ameaça de um exterminador desconhecido para ele, o T-1000, e com uma Sarah Connor muito diferente da jovem desajeitada que John descreveu. Com a ajuda de T-800 (o bonzinho), Sarah e Kyle são enviados para o ano de 2017, na véspera da nova data do julgamento final, que deve acontecer por conta de um aplicativo para celular que será lançado, a menos que a dupla, com a ajuda do velho T-800, impeça. 

      Se o primeiro filme já fazia uma bagunça com a linha do tempo – sendo Kyle o pai de Connor, como Connor nasceu para enviar Kyle para o passado? – a franquia, agora sob a direção de Alan Taylor (Thor – O Mundo Sombrio), cria uma segunda linha do tempo, uma vez que os eventos dos filmes anteriores mudaram o curso das coisas no futuro e no passado. E acerta ao colocar os personagens viajando para o futuro, algo que não tinha acontecido até o momento.

      Mas essas não são as únicas novidades do novo Exterminador. Além dos efeitos especiais, que dão um show a parte na projeção em IMAX, o filme ganhou um vilão inesperado, que sacode toda a mitologia da série e as emoções dos dois personagens principais. Além disso, o casal interpretado por Emilia Clarke e Jai Courtney tem química e envolve rapidamente o público e o filme ganha humor com o policial interpretado por J.K. Simmons (Whiplash).

      O Exterminador do Futuro – Gênesis acerta aonde os dois últimos filmes da franquia erraram. “A Salvação” não tinha o espírito da série, ao focar na guerra entre os humanos e as máquinas, e “A Rebelião das Máquinas”, o terceiro filme, repetia a fórmula do exterminador que volta do futuro para ajudar John Connor contra o que volta para o matar, sem trazer nada de novo. O filme de Alan Taylor, por outro lado, retoma os aspectos que fizeram dos dois primeiros Exterminadores um sucesso, acrescentando uma trama nova, mesmo que com final meio previsível, e aprofundando todos os personagens.

      A grande estrela do novo filme, porém, ainda é Schwarzenegger. Apelidado de “Papi” nesse filme, o personagem tira sarro de sua própria idade. A interpretação dele como uma máquina tentando socializar ainda rende as melhores risadas, e a estrela mostra uma boa forma. Os nostálgicos fãs da série vão pirar com esse novo capítulo, e com razão. Entretenimento de primeira. 

      quarta-feira, 18 de março de 2015

      Dívida de Honra



      Por Gabriel Fabri

      “As pessoas falam sobre impostos e mortes. Quando se trata de loucura, elas ficam em silêncio”. Essa frase, dita a personagem Mary Bee Cuddy (Hilary Swank) pelo referendo de uma pequena cidade na região de Nebraska, nos EUA, faz referência a dois temas de “Dívida de Honra”, filme dirigido por Tommy Lee Jones e baseado no romance de Glendon Swarthout: a loucura de três mulheres casadas, transportadas pelo deserto feito animais para voltarem a casas de seus pais, e a atitude de Mary, transgressora numa sociedade machista e patriarcal, que data de 1854.



      Mary é uma mulher já na casa dos trinta anos. Está, portanto, no limite da idade para conseguir se casar. Mulheres solteiras não são bem vistas nessa sociedade do velho oeste, ainda mais uma com a personalidade forte de Mary, “mandona e sem atrativos”. Diante da necessidade de levar três esposas que enlouqueceram para uma cidade distante, de forma com que elas possam ser encaminhadas de volta para os pais, Mary se voluntaria para missão, escandalizando os moradores da região, já que, como o título original ("The Homesman") sugere, a tarefa era para o "homem da casa" – a personagem assume assim uma responsabilidade que nenhum homem da vila ousou encarar. Um dia antes de partir, Mary avista um velho mal cuidado pendurado em uma corda, aguardando o próprio enforcamento, e o salva em troca de companhia para a viagem. Trata-se de George Biggs, interpretado por Tommy Lee Jones. 

      “Dívida de Honra” trata com sensibilidade os seus personagens: a mulher independente e indesejada; o homem que chega ao fim da vida sem nada além de rancor; as jovens que enlouqueceram e passaram a ser vistas como uma escória. Com uma bela fotografia, trilha sonora delicada e boas atuações de Hilary Swank e Tommy Lee Johnson, o resultado é um agradável filme sobre uma viagem transformadora, mas, principalmente, sobre a posição inferior na qual os homens da época colocavam as mulheres – e uma mulher que resolveu desafiar o preconceito e esse status quo retratado no filme. Embora o protagonismo fique com Swank, vale prestar atenção no interessante personagem de Lee Johnson, que brilha em algumas das melhores cenas do filme.

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      domingo, 18 de janeiro de 2015

      Em DVD: Maze Runner - Correr ou Morrer


      Por Gabriel Fabri

      Na onda das adaptações de romances infanto-juvenis para o cinema, Hollywood parece ter encontrado a sua galinha dos ovos de ouro nas distopias adolescentes. Depois da bem sucedida franquia de "Jogos Vorazes", que chega ao seu derradeiro capítulo em 2015, juntou-se ao hall das divertidas franquias a série "Divergente", estrelada por Shailene Woodley e Ansel Elgort, o casal de "A Culpa é das Estrelas". Agora, "Maze Runner - Correr ou Morrer", que chega em DVD no Brasil nesse mês de janeiro, inaugura uma nova trilogia cinematográfica, com direito a muita ação e correria.

      A premissa é bem simples: Thomas (Dylan O'Brien, da série "Teen Wolf") acorda em um campo cercado por muros altos - ele está no centro de um labirinto, cujas portas se fecham toda a noite. Ninguém que foi trancado do lado de fora dos muros sobreviveu para contar a história. Preso nesse centro com uma porção de jovens que chegaram ali como ele, sem lembrar nada além do próprio nome, Thomas assume a liderança de uma fuga, após ser o primeiro sobrevivente de um ataque das criaturas que vivem no labirinto.

      Sem a trama política ou a crítica cultural que envolve "Jogos Vorazes", por ora "Maze Runner" se limita ao mero entretenimento. Com a franquia estrelada por Jennifer Lawrence, se aproxima justamente pelas cenas de ação: a arena dos jogos e o labirinto funcionam de maneira semelhante nas duas narrativas, trazendo perigos monstruosos e criando um ambiente de horror propício para muitas lutas - inclusive entre os personagens.

      Com direção do estreante Wes Ball, "Maze Runner" cumpre o que promete, apesar dos conflitos com o personagem Gally (Will Poulter) parecerem um tanto exagerados, assim como a atuação de O'Brien no papel principal, com um heroísmo exacerbado pouco convincente - um herói perfeitinho demais, e, por isso mesmo, sem sal. Quem se destaca mesmo é um coadjuvante, Chuck (Blake Cooper), que ofusca todos os protagonistas - inclusive a misteriosa Teresa (Kaya Scodelario, da série "Skins"), muito mal aproveitada nesse primeiro filme. Mesmo assim, o longa-metragem prende bastante a atenção, cria bons momentos de ação e consegue tornar (e manter) a trama interessante ao longo de seus 110 minutos. O gancho para a continuação também é bom, e como o filme traz mais mistérios do que esclarecimentos, pode-se esperar mais de seu sucessor. 

      quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

      Em DVD: Planeta dos Macacos: O Confronto



      Por Gabriel Fabri

      Na tentativa de descobrir a cura para o Alzheimer, cientistas desenvolveram no laboratório um vírus que acabou varrendo a maior parte da vida humana na Terra. Transmitida a partir dos macacos que eram cobaias nos laboratórios, a Gripe Símia mudou a cara do planeta. Dez anos após a tragédia, há pouco sinal de pessoas vivas, sendo os macacos, evoluídos, a espécie dominante. É esse o ponto de partida de "Planeta dos Macacos: O Confronto", dirigido por Matt Reeves. 

      Vivendo presos em uma pequena cidade, como se estivessem "enjaulados", os humanos começam a explorar o redor de São Francisco em busca de uma fonte alternativa de energia. Um grupo de pessoas, lideradas por Malcolm (Jason Clarke), sai numa expedição a uma antiga hidroelétrica. No caminho, entretanto, encontram uma comunidade de macacos que falam inglês e cavalgam, organizados em torno da figura de seu líder, César (protagonista de "Planeta dos Macacos: A Origem", de 2011). Para conseguir a energia necessária e se conectar novamente com o mundo, os humanos não tem outra opção, a não ser tentar fazer com que os macacos cooperem para que a hidroelétrica seja consertada. 

      Um acerto da franquia "Planeta dos Macacos", desde o filme original de 1968, é humanizar os animais, fazendo com que o público se identifique com esses personagens. Não é diferente nesse novo filme, que mais uma vez borra a linha que separa macacos de humanos. A obra discute o erro de achar que a sua raça é superior à outra, ao mesmo tempo em que põe em xeque a capacidade do ser humano de lidar com as diferenças, em prol de um bem comum. E tudo isso é visto na rivalidade dos macacos César e Koba, em que gira a maior parte do filme. Esse segundo "Planeta dos Macacos" foge da armadilha de colocar os animais em oposição aos humanos, escapando de um maniqueísmo em que facilmente poderia cair.

      Se a ideia de nos colocar não mais como a raça dominante no planeta, mas como seres em desvantagem com relação aos macacos, nunca deixa de ser interessante e rica de possibilidades narrativas, o novo "Planeta dos Macacos" também prende a atenção pela qualidade técnica - os efeitos são impecáveis e o plano sequência no tanque de guerra, um dos truques mais inesperados e mais legais vistos nos filmes de ação recentemente - e pelo desenvolvimento do filme, que cumpre a função de entreter sem se tornar apressado ou forçado demais.

      quarta-feira, 24 de setembro de 2014

      Sin City: A Dama Fatal


      Por Gabriel Fabri

      Adaptação das histórias em quadrinhos de Frank Miller, "Sin City - A Cidade do Pecado" inovou ao trazer para as telas a estética das HQs do desenhista, com resultado visual impressionante. Nove anos depois, o visual ainda impressiona em "Sin City: A Dama Fatal", agora aliado à tecnologia do momento, o 3D. 

      A trama, dividida em três episódios, retoma a história dos personagens do primeiro longa-metragem. Uma antiga conhecida de Dwight (agora interpretado por Josh Brolin), Ava (Eva Green) resolve procurar o detetive para eles reatarem o namoro e para que o homem mate o seu atual marido. Para isso, ele contará com a ajuda de Marv (Mickey Rourke). Em outra trama, a dançarina Nancy (Jessica Alba), ainda abalada com o suicídio de Hartigan (Bruce Willis), pretende se vingar assassinando o senador Roark (Powers Boothe), pai do homem que tentou matá-la quando criança. Paralelamente, o jovem misterioso Johnny (Joseph Gordon-Levitt) desafia o tal político em um jogo de poker, fazendo uma aposta bastante perigosa.

      A parceria na direção de Frank Miller e Robert Rodriguez continua poderosa, com um bom uso das sombras, das cores, da trilha sonora e no ritmo do filme. Mais linear que o anterior, o novo "Sin City" tem também um roteiro bem amarrado, que não dispensa o humor, focado principalmente no personagem de Rourke, brilhante (novamente) em seu papel. Vale ressaltar que, embora Quentin Tarantino não dirija esse filme (no primeiro, foi diretor convidado), a obra traz um pouco do humor e da violência característicos do cineasta de "Kill Bill" - com a liberdade de fazer sangue jorrar em outra cor.

      A atmosfera noir criada evoca toda a violência e sedução necessária para tornar a personagem de Eva Green realmente fatal - o preto e branco, a escolha de sublinhar objetos como o casaco azul, aparentemente aleatória, dão força para a personagem. O 3D dá uma sensação de imersão nas telas muito positiva, e tem o seu melhor momento na cena em que Ava, completamente nua, dá um mergulho em sua piscina. 

      É interessante ressaltar também os papéis femininos nesse filme. Além das prostitutas independentes do primeiro, que retornam nessa continuação, aqui são decisivas as personagens de Eva Green e Jessica Alba. Nas dois grandes arcos narrativos do filme, elas são o destaque, do começo ao fim. Só a participação especial de Lady Gaga que soa bastante desnecessária, mas que, no fim das contas, é uma ponta simpática.  
      A fórmula "mágica" de "Sin City", para além do trabalho visual impactante, talvez seja o fato de que, como se tratam de várias histórias, o filme consegue criar vários clímax dentro de uma só obra. Com isso, até a história fraquíssima (e desnecessária) do personagem de Gordon-Levitt pode ser perdoada, pois a diversão é certeira. O que pode diminuir o exito dessa continuação é que, com todas as questões políticas sobre uma cidade em que vigora a lei do crime já tratadas no primeiro filme, "Sin City: A Dama Fatal" não aprofunda esses temas, e o novo filme é apenas um bom entretenimento.   

      sábado, 6 de setembro de 2014

      Em DVD: O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro



      Por Gabriel Fabri

      Quando a Sony Pictures anunciou que iria reinventar a bem-sucedida franquia “Homem-Aranha”, a decisão gerou muita curiosidade, mas também a dúvida de que o reboot conseguiria superar os filmes anteriores e agradar tanto novas audiências, quanto aquelas que lotaram os cinemas na trilogia de Sam Raimi. Dirigido por Marc Webb, conhecido pela comédia romântica "(500) Dias com Ela", o primeiro "O Espetacular Homem-Aranha" acabou com as dúvidas de que o aracnídeo conseguiria uma nova vida nos cinemas. Agora, com o "O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro", que acaba de chegar ao Brasil em DVD/Blu-ray/Blu-ray 3D, a franquia tem a chance de mostrar a que veio.

      Peter Parker (Andrew Garfield) e sua namorada, Gwen Stacy (Emma Stone), acabam de se formar no colegial. Com a perspectiva de uma nova vida pela frente, os dois terminam o namoro. Mas Peter não vai conseguir pular de prédio em prédio sem pensar em sua amada, que segue constantemente. Enquanto isso, o engenheiro elétrico Max (Jamie Foxx), um homem solitário entre tantos homens invisíveis na sociedade, sofre um acidente que o transforma em uma criatura que se alimenta de energia elétrica, o Electro; e o novo presidente da Oscorp, Harry Osborn (Dane DeHaan), antigo amigo de Peter, descobre que está morrendo e acredita que o sangue do Homem-Aranha é a única coisa que pode salvá-lo. Se tudo isso não são problemas o bastante, Peter ainda deve se confrontar com as lembranças de seu falecido pai. Sally Field (da série “Brothers & Sisters”), repete o papel da tia May.   

      O novo filme acerta em focar a trama em torno de Gwen Stacy. É clara a intenção de Webb, que retoma a direção nessa sequência, de priorizar os conflitos pessoais dos personagens em detrimento das cenas de ação, de forma que essas estão mais concentradas no final. E o papel que Stacy exerce no fim da trama reforça a importância dessa personagem. Os vilões do filme, também, demoram muito tempo para se tornarem vilões de fato: são, antes, tidos como pessoas normais, com problemas corriqueiros (a solidão e uma doença, por exemplo). Não que isso não estivesse presente nas franquias de Raimi, mas é nessa construção dos personagens que está a força desse novo longa-metragem.

      Outra marca dessa nova franquia é o uso do humor, sempre presente e muito bem-vindo. Todavia, ele está concentrado nas falas e atitudes do Peter, que é idealizado demais nesse filme. Desafio os leitores a encontrar um defeito em Peter Parker. Não há. Talvez essa seja a fraqueza do filme: existe um adolescente perfeito? Aqui existe. É um detalhe que enfraquece o filme, mas não deve tirar a diversão de "O Espetacular Homem-Aranha 2". 

      O Blu-ray inclui um longo making off e 13 cenas inéditas, incluindo um final alternativo, “Peter encontra o seu pai”, que por pouco não entrou na edição final. Em todas as mídias, o lançamento incluiu o clipe da canção “It’s On Again”, da cantora Alicia Keys, com participação do rapper Kendrick Lamar e do produtor Pharrell Williams. Assista abaixo: