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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Nocaute


Por Gabriel Fabri

Filmes sobre boxe costumam render performances "oscarizáveis" e bons dramas. Vide os premiados Menina de Ouro e Foxcatcher, longas-metragens de altíssimo nível, em todos os sentidos. Dirigido por Antoine Fuqua (Dia de Treinamento), Nocaute não tem uma trama lá tão criativa, mas pode figurar facilmente no hall dos grandes filmes que tem como pano de fundo esse violento esporte. 



O mérito de Fuqua é que desde a primeira cena até o terceiro ato do filme, Noucaute prende a atenção com muita facilidade. O grande Billy Hope (Jake Gyllenhaal, de O Abutre), campeão invicto, ameaça amargar a sua primeira derrota, em um conflito violento no ringue. A narração do comentarista e os olhares aflitos de sua esposa Maureen (Rachel McAdams) contribuem com o suspense e, logo na primeira cena, o público está ganho, pois, além da sequência ser emocionante, fica claro que daquele momento em diante o personagem irá ladeira abaixo. E isso não tarda a acontecer. Fora do ringue, Hope é nocauteado sem dó pelos acontecimentos da vida.

O sobrenome do protagonista, Hope, quer dizer em português "esperança". Não é a toa que temos aqui uma história em que o personagem chega ao fundo do poço e tenta dar a volta por cima. Se a esperança é a última que morre, essa é a essência do filme. O arco narrativo mostra a destruição rápida do boxeador, e a sua lenta recuperação - ou, tentativa de.

Com atuação excelente de Gyllenhaal, e o bom reforço da atriz Clare Foley, no papel de sua filha, o filme acerta a mão e convence, trabalhando bem a história e os personagens. A melhor cena do longa-metragem é, justamente, uma briga entre os dois - alias, a tentativa de reconquistar a filha é o que torna Billy um personagem tão carismático diante do público. Um filme sobre família, portanto. A falsa família, representada pelo personagem do 50 Cent, e a família real, aquela que vale a pena lutar. 

Não há nada muito de inovador nessa trama, principalmente ao colocar como clímax uma luta (a do início foi muito mais emocionante, embora a atuação de Foley nessa cena, assistindo a luta, dê um tempero a mais), mas Nocaute impressiona. Poderia também ter trabalhado melhor a questão da vingança, que fica em segundo plano, mas nada que atrapalhe o filme. 

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Contra o Tempo

 
       A última coisa que Colter Stevens se lembra é de estar pilotando um avião no Afeganistão. Do nada, o militar interpretado por Jake Gyllenhaal ("Amor e Outras Drogas", "Entre Irmãos") acorda num trem e é tratado como um grande amigo por uma simpatica desconhecida, Christina (Michelle Monaghan). Desorientado, percebe que está no corpo de outro homem, pouco antes do trem explodir.
       Esse é o ponto de partida para "Contra o Tempo" ("Source Code"), dirigido por Duncan Jones ("Lunar"). A trama, a partir dai, entra numa espécie de viagem no tempo, proporcionada por uma invenção do governo americano chamado de "código-fonte" em que o personagem vai e volta para a mesma cena o filme todo, tendo sempre oito minutos para completar a sua missão: descobrir quem explodiu o trem para impedir um novo ataque que pode destruir Chicago.
      O filme é interessante, como muitos de ação americanos. Entretanto, falta certa originalidade no roteiro, sendo muito previsível, caindo em soluções óbvias para várias questões. Isso é ruim, mas contribui para o ritmo ágil que se mantém durante quase toda a projeção, deixando o espectador entretido, embora não haja nada de genial na obra: o vai e volta não cansa o público e faz o tempo passar bem rápido.
      Em meio aos clichês do gênero, é empolgante acompanhar o personagem Colter na sua busca pelo terrorista. Gyllenhaal segura o roteiro pobre e encarna muito bem o personagem, apresentando uma doce química com a personagem de Michelle. É impossível não simpatizar com o casal, desde a primeira cena do filme, e essa simpatia segura a atenção até o final.
      É no clímax, porém, que "Contra o Tempo" tenta se diferenciar de filmes como ''Matrix'' e ''O Pagamento'', por exemplo, e trazer algo além de explosões e ação. A partir desse ponto, a obra vira um aglomerado de cenas fofas e cheias de positividade, uma delas, comandada por um comediante que tinha no trem, bem louvável e inesperada, para concluir o filme com algo além da superficialidade dos thrillers de ação: o resultado é bonitinho e vai fazer todo mundo sair com o sorriso do rosto no cinema. Bom mesmo só para passar o tempo.