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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Os Oito Odiados



Após fazer um divertido faroeste em Django Livre, o cineasta Quentin Tarantino se inspira novamente na temática em Os Oito Odiados, o seu oitavo longa-metragem. Abordando mais uma vez a questão do racismo, o diretor faz um filme mais teatral, passado dentro de uma casa em quase toda a sua totalidade. 




Na trama, um caçador de recompensas atravessa a neve em uma carroça levando uma assassina como prisioneira, interpretada por Jennifer Jason Leigh. Conhecido como o "enforcador" por entregar as suas vítimas vivas para a justiça (que as condena à morte por enforcamento), John Ruth (Kurt Russell) arruma dois empecilhos em sua viagem: diante da ameaça de uma tempestade, ele dá carona para outro caçador de recompensas, Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson), e um homem que diz ser o novo xerife da cidade para onde John está indo. Os quatro, junto com o motorista da carroça, param em um bar para esperar a tempestade passar, onde ficam confinados com mais outros três homens.

Apesar de mostrar que continua afiado na construção de diálogos e na direção dos atores, Tarantino realiza com Os Oito Odiados talvez o menor filme de sua carreira. Há pouca ação, poucas referências à cultura pop, e o enredo é bastante fraco, do começo ao fim. Com apenas alguns momentos interessantes, como a sugestão hilária de dividir o bar entre norte e sul, como na guerra de secessão, o longa se arrasta, apesar do esforço dos atores e do cuidado, não só na direção do elenco, como na construção dos personagens - o destaque é para a atriz Jennifer Jason Leigh, no papel mais interessante do filme.

Com muito sangue, humor e diálogos, marcas do estilo do diretor, o filme prende atenção em alguns momentos, mas a sensação que fica é que Tarantino perdeu a mão e fez um filme aquém dos anteriores. Falta criatividade no enredo e um maior aproveitamento do tempo. Matar o público de tédio nunca foi uma característica de seus filmes, afinal. E entre as questões discutidas em Os Oito Odiados, há pouco a agregar à filmografia tão rica do diretor. 


sábado, 19 de janeiro de 2013

Django Livre


No Oscar de 2012, a discussão sobre escravidão voltou à tona com a dramédia Histórias Cruzadas (indicada a Melhor Filme, entre outros prêmios). Embora trate de um período futuro ao tema, está intimamente ligada com sua raiz, o preconceito racial na sociedade ocidental. Anos atrás, A Cor Púrpura era premiado como Melhor Filme, ao mostrar de maneira muito tocante o sofrimento de uma negra, vítima de tal condenável ódio. Para a cerimônia de 2013, o tema volta à tona em Django Livre, mas agora nas mãos do incomparável Quentin Tarantino (Kill Bill, Pulp Fiction), e ele não quer saber de sentimentalismos.

O ano é 1859.O escravo Django (Jamie Foxx) acaba de ser libertado pela figura excêntrica do "dentista" King Schultz (Christopher Waltz). Na verdade, Schultz é um caçador de recompensas e precisa da ajuda de Django para conseguir, vivo ou morto, seus próximos alvos. Mas Django quer mesmo é libertar sua esposa, escrava nas mãos de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).

Tarantino não tem limites ou pudores para expor a crueldade da escravidão e o pensamento vigente na "Casa Grande" da época. Como é de se esperar de seus filmes, tudo é tratado com muita violência estilizada e dozes de humor provenientes de seus exageros. O diretor trabalha extremamente bem e faz com que seu estilo continue divertindo e chocando os espectadores.

Os atores também estão ótimos. Jamie Foxx conduz bem o longa e desperta admiração, curiosidade e até certa raiva em alguns momentos. Enquanto isso, DiCaprio encarna o perfeito escravocrata idiota - meninas não sairão babando por ele do cinema (espero) - num papel dificílimo que retrata todo o preconceito da época. Tem ainda Christopher Waltz, premiado com a Palma de Ouro e o Oscar por Bastardos Inglórios (obra de Tarantino que antecede Django), que também faz um bom trabalho, no papel mais interessante do longa - o único indicado ao Oscar desse ano, na categoria Melhor Ator Coadjuvante.

Tarantino realiza um ótimo entretenimento e continua impressionando com seu estilo único para escrever e filmar suas obras. Django Livre, que teve cinco indicações ao Oscar de 2013 (incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro), é uma obra interessante que não será menosprezada na pomposa filmografia do diretor. Mesmo com as polêmicas envolvendo o filme, que é claramente uma obra contra o racismo, mesmo que de maneira muito particular.