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sábado, 6 de setembro de 2014

Em DVD: O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro



Por Gabriel Fabri

Quando a Sony Pictures anunciou que iria reinventar a bem-sucedida franquia “Homem-Aranha”, a decisão gerou muita curiosidade, mas também a dúvida de que o reboot conseguiria superar os filmes anteriores e agradar tanto novas audiências, quanto aquelas que lotaram os cinemas na trilogia de Sam Raimi. Dirigido por Marc Webb, conhecido pela comédia romântica "(500) Dias com Ela", o primeiro "O Espetacular Homem-Aranha" acabou com as dúvidas de que o aracnídeo conseguiria uma nova vida nos cinemas. Agora, com o "O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro", que acaba de chegar ao Brasil em DVD/Blu-ray/Blu-ray 3D, a franquia tem a chance de mostrar a que veio.

Peter Parker (Andrew Garfield) e sua namorada, Gwen Stacy (Emma Stone), acabam de se formar no colegial. Com a perspectiva de uma nova vida pela frente, os dois terminam o namoro. Mas Peter não vai conseguir pular de prédio em prédio sem pensar em sua amada, que segue constantemente. Enquanto isso, o engenheiro elétrico Max (Jamie Foxx), um homem solitário entre tantos homens invisíveis na sociedade, sofre um acidente que o transforma em uma criatura que se alimenta de energia elétrica, o Electro; e o novo presidente da Oscorp, Harry Osborn (Dane DeHaan), antigo amigo de Peter, descobre que está morrendo e acredita que o sangue do Homem-Aranha é a única coisa que pode salvá-lo. Se tudo isso não são problemas o bastante, Peter ainda deve se confrontar com as lembranças de seu falecido pai. Sally Field (da série “Brothers & Sisters”), repete o papel da tia May.   

O novo filme acerta em focar a trama em torno de Gwen Stacy. É clara a intenção de Webb, que retoma a direção nessa sequência, de priorizar os conflitos pessoais dos personagens em detrimento das cenas de ação, de forma que essas estão mais concentradas no final. E o papel que Stacy exerce no fim da trama reforça a importância dessa personagem. Os vilões do filme, também, demoram muito tempo para se tornarem vilões de fato: são, antes, tidos como pessoas normais, com problemas corriqueiros (a solidão e uma doença, por exemplo). Não que isso não estivesse presente nas franquias de Raimi, mas é nessa construção dos personagens que está a força desse novo longa-metragem.

Outra marca dessa nova franquia é o uso do humor, sempre presente e muito bem-vindo. Todavia, ele está concentrado nas falas e atitudes do Peter, que é idealizado demais nesse filme. Desafio os leitores a encontrar um defeito em Peter Parker. Não há. Talvez essa seja a fraqueza do filme: existe um adolescente perfeito? Aqui existe. É um detalhe que enfraquece o filme, mas não deve tirar a diversão de "O Espetacular Homem-Aranha 2". 

O Blu-ray inclui um longo making off e 13 cenas inéditas, incluindo um final alternativo, “Peter encontra o seu pai”, que por pouco não entrou na edição final. Em todas as mídias, o lançamento incluiu o clipe da canção “It’s On Again”, da cantora Alicia Keys, com participação do rapper Kendrick Lamar e do produtor Pharrell Williams. Assista abaixo:



sábado, 19 de janeiro de 2013

Django Livre


No Oscar de 2012, a discussão sobre escravidão voltou à tona com a dramédia Histórias Cruzadas (indicada a Melhor Filme, entre outros prêmios). Embora trate de um período futuro ao tema, está intimamente ligada com sua raiz, o preconceito racial na sociedade ocidental. Anos atrás, A Cor Púrpura era premiado como Melhor Filme, ao mostrar de maneira muito tocante o sofrimento de uma negra, vítima de tal condenável ódio. Para a cerimônia de 2013, o tema volta à tona em Django Livre, mas agora nas mãos do incomparável Quentin Tarantino (Kill Bill, Pulp Fiction), e ele não quer saber de sentimentalismos.

O ano é 1859.O escravo Django (Jamie Foxx) acaba de ser libertado pela figura excêntrica do "dentista" King Schultz (Christopher Waltz). Na verdade, Schultz é um caçador de recompensas e precisa da ajuda de Django para conseguir, vivo ou morto, seus próximos alvos. Mas Django quer mesmo é libertar sua esposa, escrava nas mãos de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).

Tarantino não tem limites ou pudores para expor a crueldade da escravidão e o pensamento vigente na "Casa Grande" da época. Como é de se esperar de seus filmes, tudo é tratado com muita violência estilizada e dozes de humor provenientes de seus exageros. O diretor trabalha extremamente bem e faz com que seu estilo continue divertindo e chocando os espectadores.

Os atores também estão ótimos. Jamie Foxx conduz bem o longa e desperta admiração, curiosidade e até certa raiva em alguns momentos. Enquanto isso, DiCaprio encarna o perfeito escravocrata idiota - meninas não sairão babando por ele do cinema (espero) - num papel dificílimo que retrata todo o preconceito da época. Tem ainda Christopher Waltz, premiado com a Palma de Ouro e o Oscar por Bastardos Inglórios (obra de Tarantino que antecede Django), que também faz um bom trabalho, no papel mais interessante do longa - o único indicado ao Oscar desse ano, na categoria Melhor Ator Coadjuvante.

Tarantino realiza um ótimo entretenimento e continua impressionando com seu estilo único para escrever e filmar suas obras. Django Livre, que teve cinco indicações ao Oscar de 2013 (incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro), é uma obra interessante que não será menosprezada na pomposa filmografia do diretor. Mesmo com as polêmicas envolvendo o filme, que é claramente uma obra contra o racismo, mesmo que de maneira muito particular.