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quarta-feira, 12 de junho de 2013

O Grande Gatsby



Quando saiu o trailer oficial de O Grande Gatsby (The Great Gatsby), readaptação do romance de F. Scott Fitzgerald, duas coisas chamaram muito a atenção. A primeira era o visual colorido e extravagantemente luxuoso das cenas selecionadas. A outra era a trilha sonora, pois o vídeo incluía trechos de três músicas até então inéditas de grandes cantoras da atualidade - Lana Del Rey, Beyoncé e Florence Welch (da banda inglesa Florence + The Machine). Não deu outra: sob o comando de Baz Luhrmann (Australia, Moulin Rouge), esses dois aspectos se sobressaem e dão à nova versão de Gatsby grandiloquência e personalidade.

Nick Carraway (Tobey Maguire) acaba de se mudar para um casebre no subúrbio de Nova York, ao lado de uma luxuosa mansão. Nela, vive Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio), um misterioso homem que dá grandes festas em sua residência - o motivo, ninguém sabe, pois os frequentadores nunca são convidados e Gatsby nunca está entre eles, o que faz alguns duvidarem até de sua existência. Carraway se sente observado pelo vizinho, que não tarda a convidá-lo, exceção cuja explicação de início não é revelada.

Uma crítica recorrente ao trabalho do diretor é o seu exagero, seja no kitsch em Moulin Rouge ou na longa duração de Austrália. Em sua nova obra, a paleta de cores é extremamente colorida e os cenários e figurinos igualmente grandiloquentes. Entrar numa festa de Jay Gatsby é como embarcar no mais insano - e luxuoso, porque há todo um glamour em caracterizar a década de 20 - videoclipe pop da atualidade.

A sensação de entrar num mundo artificial e fantasioso, desde o início do filme, poderia servir para tornar o filme apenas um exemplar de entretenimento superficial, de culto ao capitalismo e à riqueza. De fato, torna desnecessária a contextualização inicial no começo do século XX, porque, por mais que os ricos tenham uma vida luxuosa, tudo o que Luhrmann - pelo menos na primeira metade do filme - nos mostra quer parecer mais um sonho do que algo possível de ser real. Mas esse clima de fantasia e o visual exagerado é o grande diferencial do filme, principalmente considerando a versão de 1974, com dois grandes astros de Hollywood, Robert Redford e Mia Farrow.

Os exageros de Luhrmann externam o estado de espírito de Gatsby. São a verdadeira caracterização do personagem (que, aliás, é muito bem interpretado por DiCaprio). Evidenciam a sua solidão, suprida - ou não - com maluquices como dar festas em que não conhece os convidados e que nem frequenta. O luxo é a máscara de Gatsby. Por trás desse disfarce do grande rico, do homem no topo do mundo, da visão de cima do pedestal, o que há? O que há por trás da utopia do capitalismo, do sonho americano? Jay-Z, produtor da excelente trilha sonora e também do longa, poderia até ter incluido American Life, de Madonna, entre as canções - "nada é o que aparece", diz a música, à respeito do nosso estilo de vida. Cai como luva em O Grande Gatsby.

A trilha sonora é outro ponto forte. A superprodução mescla, em algumas faixas, a sonoridade de ritmos da época com os dos dias de hoje, como na ótima Bang Bang, de Will.I.Am. Young and Beautiful, de Lana Del Rey, é a mais marcante do filme (e também é a que mais se destaca), pois sintetiza em seu refrão e em sua melodia melancolica a problemática central do enredo. Na letra, a cantora questiona se o homem ainda a amará quando ela não for mais jovem e bonita. A questão da aparência, tão presente na sociedade hoje, aqui se dá por meio do luxo e da ostentação.

O novo O Grande Gatsby é muito diferente da versão de 1974 na questão da trilha sonora, direção de arte e direção (Luhrmann tem um estilo que preza muito a agilidade, com cortes rápidos). Não há muitas diferenças no enredo, então as mudanças são praticamente técnicas - e, sim, muito positivas. Gatsby ganhou não só mais glamour e atualidade, mas uma melhor caracterização no cinema. Ponto para o diretor que transformou um clássico da literatura numa obra pop moderna, sem perder de vista as questões que podem ser suscitadas. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tributo à Etta James




             
                 Etta James, nascida em 1938, morreu hoje à tarde aos 73 anos. Mais do que uma simples cantora, ela foi a mulher mais importante do Blues. Na lista da revista Rolling Stones, é a 22ª cantora mais importante da história e ocupa o número 62 na lista dos melhores artistas. Ao longo de sua tragetória, conquistou milhares de fãs, 17 prêmios Blues Music e 6 Grammy, teve sua vida transformada em filme e inspirou grandes nomes da música pop atual.
                 Esse post é a minha pequena homenagem à esse grande nome da música. Mais do que trabalhos incríveis, como sua gravação da música At Last, obra mais conhecida da sua carreira, Etta inspirou a música pop e dois de seus maiores nomes, declaradamente: Christina Aguilera e Beyoncé. A primeira, desde seu primeiro álbum agradece à James, na turnê do segundo cantou seu maior sucesso e no terceiro álbum, Back to Basics,  menciona sua inspiração na introdução e todo o estilo da obra, um pop misturado com blues, jazz e soul, respira à Etta. Em 2010, o filme Burlesque, com Cher, trás duas canções, uma logo na abertura do filme, Something's Got a Hold On Me, e também Tough Lover. A outra cantora levou o mito às telas do cinema: em Cadillac Records, Beyoncé é Etta James, num ótimo musical que conta a história da gravadora que deu fama à Etta. Na posse do presidente Obama, Bey cantou At Last, ao invés de escolher um de seus hits. Atualmente, uma música de Flo Rida com um sample de Something's Got a Hold On Me, Good Felling, faz sucesso nas pistas internacionais.  
                 A morte de Etta James não é uma surpresa: ela sofria de leucemia, demência e hepatite, e já havia sido declarada em estado terminal. É importante que sua morte não passe em branco. Enquanto a maioria da mídia selecionará, nos próximos dias, apresentações memoráveis de Etta, deixo os dois tributos que eu adoro para mostrar que sua música ainda viverá por muito tempo. Descanse em paz, Etta James.



[Atualizado em 22/01] Confira a homenagem de Kelly Clarkson em seu primeiro show após a morte da estrela. I'd Rather Go Blind:


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Beyoncé - 4

            Quem comanda o mundo? Definitivamente não é mais quem recebeu o prêmio de 'Artista do Milênio' mês passado: Beyoncé Knowles lança mundialmente seu quarto álbum de estúdio '4' essa semana com a promessa de ser o maior (ou melhor, o primeiro) fracasso de vendas de sua carreira.
            O álbum, simplesmente por ser dela, já era certeza de sucesso. Os problemas começaram quando o primeiro single foi lançado, 'Run The World (Girls)'. A música se encaixa perfeitamento no estilo da Beyoncé, mas no das musicas que fizeram menos sucesso, como 'Diva'. Uma aposta arriscada, pois tem um ritmo inspirado em músicas africanas e até parece funk brasileiro. Assim, Beyoncé mudou um pouco a sonoridade de seu trabalho, o que causou uma certa estranheza ou mesmo desinteresse no público em geral.
            Se sua persuasão pode construir uma nação, como diz o carro-chefe do cd, pelo menos música a diva deveria conseguir vender. E o que ela conseguiu fazer muito bem no ultimo álbum 'I Am... Sasha Fierce', que são as baladas, é o que prevalece neste lançamento. A primeira faixa, '1 + 1', é linda e emocionante, e a partir daí seguem-se mais três músicas no mesmo estilo, uma melhor que a outra, com exceção do segundo single 'Best Thing I Never Had', uma tentativa de repetir o sucesso de Irreplaceable com o tema de separação, mas que não tem a emoção e o refrão chiclete desse hit (quem teve a ideia de lançar isso pra salvar as vendas?). O maior problema dessas baladas é que nenhuma tem a força para ficar na cabeça por muito tempo como 'Halo' e 'Broken-Hearted Girl', por que nenhum delas é muito inspirada ou inovadora. Apesar disso, são quatro músicas deliciosas de se ouvir.
            A partir da faixa 5, as coisas começam a ficar menos emotivas e mais divertidas. A parceria com André 3000 (um dos caras do OutKast, aquela banda de um hit só 'Hey Ya') e Kanye West é bem animada, e ao mesmo tempo relaxante: aqui Beyoncé começa a apresentar mudanças em seu som, meio voltado pro lounge. O álbum ganha força de vez com mais quatro baladas, mas que agora são bem mais agitadas, voltadas para aquele amor realizado que todo mundo gosta de ter. As melhores são 'Star Over' e 'Love On Top', esta a segunda melhor do cd.
            O grande destaque é 'End Of Time', a faixa número 10. Ela se assemelha a 'Run The World' (o primeiro single e a última faixa do álbum) na sonoridade e nas letras ao resto do trabalho. É a síntese do '4'. Depois dela, temos mais uma balada bonita, parecida com as primeiras e por isso claramente deslocada no tracklist, mas que encerra o álbum com classe. E ai Beyoncé se auto afirma como a dominadora do mundo no seu hino feminista e viciante.
            Encalhado nas lojas e humilhado pela imprensa como aconteceu com o meu cd favorito ano passado (o Bionic da Christina Aguilera) ou fazendo sucesso só por sua grande base de fãs, o álbum '4' não deve ser ignorado. É mais do mesmo, só que diferente. Vale a pena comprar e ouvir, mesmo que ele não seja grande coisa. Quem gosta de pop com certeza vai curtir.