Mostrando postagens com marcador Léa Seydoux. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Léa Seydoux. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O Grande Hotel Budapeste


Por Gabriel Fabri

A narração que lembra a de uma história infantil; o cenário colorido e minuciosamente construído, valorizado por planos abertos; personagens excêntricos, às vezes até caricaturais; um humor contido, presente nos detalhes. Estamos, sem dúvida, falando de um filme de Wes Anderson. Dois anos após "Moonrise Kingdom", o cineasta retorna com "O Grande Hotel Budapeste".


Na trama, Zero, o dono do hotel do título, conta para um escritor a história de como veio a se tornar o responsável pelo estabelecimento, que já foi um dos mais luxuosos e extravagantes da Europa. Interpretado na juventude pelo estreante Tony Revolori, o personagem narra os seus primeiros dias de trabalho como mensageiro e se debruça sobre a sua relação com o chefe, Gustave (Ralph Fiennes), que na época era o concierge do hotel - um homem fã de perfume franceses que sentia atração por mulheres ricas, solitárias, loiras e idosas. Zero acompanha Gustave na confusão em que ele se mete quando uma de suas amantes morre e o deixa um valioso quadro como herança, à contragosto da família da falecida.

O filme de Anderson consegue construir boas sequências de humor, como uma simples troca de quadros em uma parede, e de aventura, como a empolgante perseguição na neve. Embora conte com um elenco de bons atores, como Willem Dafoe ("Ninfomaníaca") e Léa Seydoux ("Azul é a Cor Mais Quente"), a grande estrela é mesmo a direção de arte do filme: os detalhes dos cenários impressionam e encantam, a começar pela construção do hotel, feita em maquetes. É o hotel do título o verdadeiro atrativo do filme, cuja narrativa parece simples demais perto da complexidade dos cenários.

"O Grande Hotel Budapeste" é um bom filme, mas que não chega muito perto das obras anteriores de Anderson. O diretor parece um tanto acomodado com o seu estilo deslumbrante, que não é mais uma novidade. Assim, quando o encantamento com a direção de arte acaba, sobra pouco o que ressaltar.

Curta a página do blog no Facebook   

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Azul é a Cor Mais Quente



Por Gabriel Fabri

A personagem Adèle se imagina na cama com uma jovem de cabelos azuis, com quem cruzou olhares na rua e ficou transtornada. Após sentir prazer com essa fantasia erótica, a garota chora. Essa cena é fundamental para entender Azul é a Cor Mais Quente (La Vie D'Adèle, chapitre 1 et 2)de Abdellatif Kechiches: a questão do desejo, do autoconhecimento e da homossexualidade estão ai presentes e são os temas centrais da obra, que busca dar conta da complexidade da vida da personagem, como sugere o título original, e, para isso, transcende qualquer superficialidade, como a ideia de que um momento de prazer seja necessariamente um momento de felicidade.    

A trama, dividida em dois capítulos, acompanha o cotidiano de Adèle (Adèle Exarchopoulos), no início ainda estudante de um colégio. Aparentemente tímida em relação aos garotos, a menina guarda uma angústia em segredo: ela teme sentir alguma atração por mulheres. Enquanto passa por essa fase de crise interna, conhece Emma (Léa Seydoux), com quem começa a experimentar um novo mundo, em relação ao amor, ao sexo, à sociedade e a si mesma. Após essa primeira jornada intensa de descobrimento, o capítulo dois mostra novamente a personagem em crise, o que desencadeia uma outra fase de descobertas.

A característica mais marcante da direção de Kechiche é o uso de closes. A todo o momento, a câmera gruda nos atores, tentando ficar o mais próximo possível dos seus personagens, mostrando muitos detalhes. O efeito parece o de realmente entrar na intimidade dos personagens, ou pelo menos criar a ilusão de que o público está próximo deles, após a sensação estranha de ver na tela macarrão sendo mastigado ou um nariz escorrendo em meio à lágrimas, por exemplo.

Esse estilo de direção exige muito do elenco, em especial das duas atrizes principais. O que dizer então das polêmicas cenas de sexo? O diretor percorre o corpo das atrizes, filmando a textura da pele, as expressões faciais e, claro, o ato em si, de maneira totalmente explícita. A sequência da primeira vez das protagonistas poderia ter saído de um pornô, tamanha a ousadia, se não fosse nada mais do que mostrar uma relação sexual de maneira crua, sem tentar maquiá-la, não inserindo nem trilha sonora. Extensa na duração (6 minutos, segundo o diretor), com foco nos mínimos detalhes, a cena resume a essência do sucesso do filme: a construção lenta dos personagens e das situações, a atenção aos detalhes. Alguns poderiam acusar Kechiche de exagerar demais sem necessidade, mas seria covarde se esquivar de mostrar cenas tão explícitas de sexo quando o longa é todo construído nos pequenos detalhes. Até porque a percepção da diferença entre as experiências de Adèle é importante para o público entender a personagem, para além de rótulos sociais.

A personagem principal, além de contar com a excelente atuação de Adèle Exarchopoulos, adquire uma complexidade alta, proporcionada não só pela direção, mas pelo roteiro que, beneficiado pela longa duração do filme, trata de grandes questões existenciais sem atropelos, com profundidade. Léa Seydoux também não deixa nada a desejar em seu papel, que ganha maior destaque na segunda parte do filme.

Azul é a Cor Mais Quente é um filme ousado e complexo, apesar da aparente simplicidade. Trata-se, sobretudo, de uma obra não apenas sobre homossexualidade, mas sobre o desejo - a eterna lacuna que nunca é preenchida no ser humano, que o faz querer mais e mais, que motiva Adele a tentar se encontrar. Sobre as delícias e as dores da jornada de autodescobrimento. E, por fim, sobre um amor que nasce, atinge o seu ápice e vai se esvaindo, como em uma relação sexual - ou, se preferir, como se a relação com Emma fosse o grande orgasmo da vida de Adèle.

Curta a página do blog no Facebook: https://www.facebook.com/PopWithPopcorn

sábado, 19 de outubro de 2013

Diário 37ª Mostra - Vol. 1



Começou ontem a 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O maior evento cinematográfico do ano acontece até o dia 31 de outubro e reúne 377 longa-metragens, a grande maioria composta por filmes inéditos no país.

O Pop with Popcorn, pelo segundo ano consecutivo, irá trazer algumas dicas para os nossos leitores não ficarem por fora. Nessa edição, teremos uma série de pequenos "diários" com os filmes vistos a cada dois ou três dias. Para acompanhar as atualizações, é só ficar de olho na nossa página no Facebook (clique aqui), ou acessar o blog com maior frequência.

Ano passado, publicamos a crítica de dois filmes que repercutiram muito quando estrearam nas salas comerciais: o chileno No e o brasileiro Elena.

Confira abaixo o início dessa jornada:




1) Sessão de Abertura: Inside Llewyn Davis


O novo filme dos irmãos Ethan e Joel Coen mostra a decadência de Llewyn Davis (Oscar Isaac), um cantor de folk inspirado em Dave van Ronk, famoso nos anos 1960. A fotografia acompanha a vida cinzenta de Davis, um personagem rejeitado por todos. Profissionalmente também: após o suicídio de seu parceiro, o personagem não consegue engrenar carreira solo, tocando, com sorte, em pequenos bares locais. Davis terá ainda mais problemas, por causa de um gato e uma gravidez mais que indesejada de um caso de adultério.


O filme tem um tom melancólico acentuado, todavia, predomina o humor mordaz dos Coen, já característico de suas filmografias. Com diálogos irônicos e trilha sonora marcante e envolvente, o longa é uma ótima pedida. Atenção para a atuação cativante de um gatinho e para o personagem de Justin Timberlake, com sua canção cômica sobre um astronauta. 

Única exibição, dia 21, no Cine Livraria Cultura. Estreia em fevereiro de 2014.



2) Grand Central

Exibido no festival de Cannes, o filme conta no elenco com a atriz Léa Seydoux, protagonista do filme vencedor da Palma de Ouro, La Vie D'Adéle. Grand Central irá expor o cotidiano dos trabalhadores de uma usina nuclear francesa. Isolados no campo, eles formam uma verdadeira comunidade, e colocam suas vidas em perigo diariamente, por uma miséria. O longa acompanha o personagem de Tahar Rahim se adaptando a esse novo trabalho. Ele logo começará, todavia, a sentir atração pela personagem de Seydoux, noiva de um de seus amigos.

O longa é bom, mas fica a sensação de que o caso de amor poderia ter sido melhor explorado, tornando o filme um pouco menos arrastado. 

A primeira exibição do filme será nesse domingo, dia 20. O longa entra em cartaz em janeiro de 2014.



3) A Garota e a Morte 

Essa co-produção da Russia, Holanda e Alemanha é uma verdadeira história de princesas, disfarçada pelos tons escuros da fotografia. Um jovem russo, de passagem para Paris, hospeda-se em um hotel, onde fica imediatamente atraído pela esposa do dono, um idoso sinistro. A jovem era pobre e se casou com o dono do hotel sem amá-lo de verdade. Agora, conhece pela primeira vez o desejo pulsante, e fica dividida entre o amor e a estabilidade. 

O diretor consegue um ritmo muito envolvente para A Garota e a Morte, que impressiona pela beleza estética e pela leveza com que a trama é conduzida. O piano e a trilha sonora dão o tom melancólico para o filme. Recomendo.

Próxima exibição será dia 24, no Cinusp. 



4) Depois da Chuva

Dirigido por Cláudio Marques e Marília Hughes, essa produção nacional acompanha o cotidiano de uma escola em Salvador, no início da redemocratização do Brasil. O anarquista Caio disputa o grêmio de seu colégio ao mesmo tempo em que começa a questionar seus professores e descobre o seu primeiro amor.

Confira a entrevista com o diretor do filme publicada no site da Revista Fórum: http://revistaforum.com.br/blog/2013/10/depois-da-chuva-traz-a-atmosfera-das-diretas-ja-para-o-cinema/

Volte em breve para conferir mais dicas da 37ª Mostra. 

No próximo diário, têm filme com Ricardo Darín, entre outros... 

Curta a nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/PopWithPopcorn