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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sete Dias com Marilyn

         
        O maior ícone do cinema, a mulher mais famosa de sua época, Marilyn Monroe, ganha finalmente seu retrato nas telas do cinema. Cinquenta anos após sua morte, a diva é interpretada por Michelle Williams (Namorados para Sempre), três vezes indicada ao Oscar, nessa adaptação do livro homônimo autobiográfico de Colin Clark, que retrata o cotidiano das filmagens de O Príncipe Encantado, na Inglaterra.
         O filme mostra os bastidores do longa de 1957 pela perspectiva de Clark (Eddie Redmayne), um jovem que ambicionava trabalhar com cinema, inspirado pelas obras de Orson Welles e Alfred Hitchcock, e se torna, pelo método da insistência, o terceiro assistente do diretor Laurence Oliver (Kenneth Branagh, de Celebridades, do Woody Allen), que é também o ator principal de O Príncipe. A grande estrela do longa não é ninguém menos que Marilyn Monroe. Entretanto, a imagem da atriz não condiz com sua verdadeira personalidade, que trará uma porção de problemas para a produção.
         Simon Curtis, desconhecido diretor inglês, conseguiu com Sete Dias com Marilyn (My Week With Marilyn) transmitir para as telas todo o caos que as filmagens de um longa com Monroe costumava ser. Mais do que isso, ele sintetizou em uma hora e meia toda a duplicidade da personalidade da estrela. A Marilyn que todos conheciam e até hoje é idolatrada e sua verdadeira face são perfeitamente reconstituídas por Michelle Williams, impecável no papel. Embora seja a perspectiva de Clark que conduza a narrativa, não é de se impressionar que o papel de Williams acabe roubando toda a atenção: assim como em sua curta filmografia, que incluem clássicos como Quanto Mais Quente Melhor e Os Homens Preferem As Loiras, Marilyn rouba a cena e brilha. Nesse filme, ela não é mais a maior estrela que Hollywood já teve. Finalmente, ela é vista como um personagem de extrema complexidade. E Michelle convence com sua atuação premiada pelo Globo de Ouro e merecidíssima do Oscar de Melhor Atriz, que não lhe foi entregue.
        O longa ganha pontos também com o bom desenvolvimento dos personagens, principalmente Laurence Oliver, perfeito como o diretor levado à beira da loucura pelas atitudes da diva, que ajudam a criar o cenário caótico das filmagens. Sete Dias com Marilyn só não é perfeito porque demora para ficar interessante, no início. Todavia à medida que Michelle Williams avança na caracterização de sua personagem, o filme encontra seu caminho, que termina num digno relato e em uma perfeita homenagem à Marilyn Monroe.

Confira o texto do blog (com fotos) sobre a mostra Quero Ser Marilyn Monroe, que rolou em São Paulo no mês de março: http://popwithpopcorn.blogspot.com.br/2012/03/quero-ser-marilyn-monroe.html

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Namorados Para Sempre

          
        Poucas coisas são tão certas na vida quanto o fato de que todo relacionamento amoroso tem seus altos e baixos. Mas isso gera a incerteza de que até quando temos que lutar para que ele dê certo, até quando acreditar que um relacionamento que está afundando pode voltar como era no início ou do quanto de alegria e amor próprio temos que sacrificar em nome da pessoa que você não sabe mais se ama, mas que uma coisa é certa, você já amou mais. Some esses conflitos internos a uma filha pequena e você se depara com a situação de Cindy em Namorados Para Sempre (Blue Valentine).
            O filme acompanha a personagem de Michelle Williams e seu casamento com Dean (Ryan Gosling) a partir do dia em que o cachorro dos dois morreu. Vendo a esposa abalada, Dean resolve deixar a filha com seu sogro e levar seu 'amor' para um motel engraçadinho, com finalidade de eles passarem um tempo juntos para resolver os cotidianos problemas de seu casamento (ou simplesmente transar). Paralelamente, o passado dos dois é mostrado por flashbacks que revelam passagens do relacionamento deles desde o início.
            Assim, romance e drama mesclam-se como se fossem dois filmes paralelos, sobre os mesmos personagens, causando uma grande variação de tom, que é um grande destaque da trama: numa cena, você odeia Dean e logo na seguinte, já o considera super fofo, por exemplo. A mistura do passado e presente dá um charme para a obra, mas cria confusão, principalmente por que por grande parte do filme têm-se a impressão que as duas histórias acontecem ao mesmo tempo (Ryan sem óculos parece outro pessoa. Estaria Cindy tendo um caso?). Entretanto, a maneira como tudo é amarrado, apesar de parecer confusa, é o que principal elemento que tornou o resultado final tão tocante e melancólico: é o que faz o espectador 'atar as duas pontas da vida' dos personagens, como diria Dom Casmurro, e é o que vai fazer quem assistir ficar no mínimo diferente.
            Com a direção e o roteiro simples focado no casal, os protagonistas são interpretados muito bem pelo casal de atores principal.Gosling  brilha nas cenas mais dramáticas, principalmente no desfecho, e também no flashback em que canta para Cindy. Entretanto, o grande destaque é Michelle Williams, que durante o filme todo transmite emoção a sua personagem, sendo de grande merecimento a indicação ao Oscar de Melhor Atriz por esse papel, concorrendo com outras quatro atrizes sensacionais. Seu trabalho aqui é tão bom (talvez até melhor) quanto em seu recente filme 'Incendiário', super recomendado pra quem gostar da atuação que lhe rendeu o reconhecimento no Academy Awards.
             Conclui-se que 'Blue Valentine' é um drama simples e emotivo, que deve agradar todos que gostam do gênero. Mas não se engane pelo título em português: o que vai prevalecer em quem assiste não é o fato de eles serem para sempre ou não, mas sim toda a melancolia que um relacionamento pode trazer.
        

Gostou desse? Veja a resenha de 'Reencontrando a Felicidade', com Nicole Kidman.
http://popwithpopcorn.blogspot.com/2011/05/reencontrando-felicidade.html