Mostrando postagens com marcador Robert De Niro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Robert De Niro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Tirando o Atraso



Garotas de biquíni, jovens musculosos sem camisa, muitas drogas, álcool, sol e música eletrônica: parece um paraíso hedonístico, mas trata-se da "semana de saco cheio" nos EUA, o tradicional spring break. Esse período de festas já foi retratado recentemente no brilhante Spring Break - Garotas Perigosas, de Harmony Korine, e agora é cenário para uma bem-humorada aventura entre avô e neto em Tirando o Atraso, de Dan Mazer. 





  • Curta a página do blog no Facebook   



  • Dick Kelly (Robert De Niro) acaba de ficar viúvo, após uma eternidade casado. No dia do funeral de sua esposa, ele obriga o seu neto Jason (Zac Efron) a levá-lo de carro até a sua casa de veraneio - isso, uma semana antes do casamento do garoto. Entretanto, Dick tem outros planos, que definitivamente não incluem um retiro solitário: após 15 anos sem fazer sexo, ele precisa da ajuda do neto para conseguir transar. Para a sorte de ambos, eles encontram no caminho uma velha amiga de Jason, Shadia (Zoey Deutch), cuja melhor amiga, Lenore (Aubrey Plaza), quer riscar "transar com um professor" de sua lista de desejos - e foi como um professor aposentado que Dick se apresenta para elas. O destino da viagem dos dois é então alterado para uma cidade praiana, onde um spring break acontece. 

    Apesar de começar forçando piadas sem graça, o segundo longa-metragem de Dan Mazer (ele dirigiu a comédia Dou-lhes Um Ano e foi roteirista de Borat) logo mostra a que veio. É só a viagem entre avô e neto começar que a dupla, em sintonia, conquista o público com muito humor - 90%, é claro, são piadas de cunho sexual. Embora um dos momentos mais hilários seja ver Zac Efron dançando pelado (vestindo apenas uma abelha de pelúcia cobrindo os genitais), De Niro rouba a cena, com uma atuação espontânea e muitas piadas na ponta da língua. Uma surpresa interessante é a personagem Lenore: ela personifica a mulher dos sonhos de toda pessoa interessada apenas em sexo sem compromisso. Por ser tão exagerada e irreal, acaba se tornando muito engraçada, um elemento cômico do filme que funciona muito bem. Parece saída de um pornô, afinal. 

    Mas o filme vai muito além do esperado e surpreende: mesmo sendo politicamente incorreto e não ter vergonha disso, Tirando o Atraso traz uma boa mensagem sobre aproveitar a vida - e não exatamente da maneira como o espectador imagina. No fundo, é também um filme sobre família. E que fique claro: ser politicamente incorreto não é ruim quando se tem um material de qualidade e criativo em mãos. E aqui, há boas piadas com todos: sobre falar ou não nigger, gíria usada entre negros e que é considerada ofensiva se falada por brancos (e que Jason aconselha Dick categoricamente a não falar em hipótese alguma, vale ressaltar), ou mesmo brincadeiras com homossexualidade - para depois, em um momento surpreendente, Dick sair em defesa de um personagem gay, o que, geralmente, não se esperaria de uma comédia onde o personagem principal tem como objetivo transar com uma garota uns 40 anos mais nova. 

    Tirando o Atraso é escrachado, politicamente incorreto e criativo. Não é para todos os públicos, mas, quem embarcar na ideia, com certeza vai se divertir.   

    | Gabriel Fabri

    Fique de olho na nossa página do Facebook para mais novidades!

    segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

    Joy: O Nome do Sucesso



    Após duas parcerias com Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, em O Lado Bom da Vida e Trapaça, o diretor David O. Russell retorna com o seu bem-sucedido time de atores em Joy: O Nome do Sucesso, um ponto fora da curva na carreira de prestígio do diretor e de seu time de estrelas, que inclui também o veterano Robert De Niro. O longa-metragem escorrega com uma quantidade imensa de personagens mal aproveitados e um enredo pobre e sem sal. 



    O filme é inspirado na história de vida da empresária e inventora Joy Mangano, com foco no desenvolvimento de sua primeira invenção, o Miracle Mop ("Esfregão milagroso", em português). A criação, lançada há 25 anos, permitiu que Joy se tornasse um case de sucesso do empreendedorismo norte-americano: hoje ela possui a patente de mais de cem produtos, incluindo os cabides Huggable Hangers, o artigo de maior venda da história da HSN (canal de televisão destino a venda de produtos). 

    Mas nem sempre foi assim: no longa-metragem, Joy (Lawrence) tivera que abandonar os estudos para cuidar da mãe (interpretada por Virginia Madsen), que passa o dia trancada no quarto vendo novelas, e para tocar os negócios do pai, que tem uma oficina de carros. Além disso, ela tem que lidar com a presença constante do seu ex-marido, que está hospedado no porão da casa; com os afazeres domésticos; e, ainda, precisa cuidar dos dois filhos - tudo isso, é claro, sem dinheiro. Para completar, seu pai (De Niro) resolve voltar para a casa dela, pois está sem lugar para morar após terminar outro casamento.

    Os últimos dois filmes do diretor foram marcados por personagens meio loucos e extravagantes. Aqui, Lawrence não repete o papel de desequilibrada: são os pais de Joy que são meio fora dos trilhos. Talvez por isso, essa seja a atuação menos impressionante da atriz, que ganha aqui um papel menor, apesar de ser ela a principal do filme e ter sido premiada no Globo de Ouro. Os personagens de De Niro e Madsen são muito mais interessantes e o longa-metragem poderia ser muito melhor se soubesse explorá-los com mais profundidade – eles são o único alívio cômico do filme, afinal, algo muito bem trabalhado em Trapaça e O Lado Bom da Vida, mas que aqui fazem falta. Por exemplo: quantas situações o roteiro, assinado por Russell e Annie Mumolo, poderiam ser criadas apenas a partir do fato de que o personagem de De Niro e o seu ex-genro são obrigados a viver juntos no porão? No início do filme, quando Joy divide o cômodo ao meio com um rolo de papel higiênico, a situação para a comédia, para o drama ou para a tragédia entre aqueles dois antagonistas está montada. Entretanto, aquilo não resulta em nada concreto para a trama.

    O roteiro não só esqueceu a situação do pai e do ex-marido de Joy no porão, como criou um monte de personagens sem sal. A vilã do filme – a meia-irmã de Joy – sequer existiu na vida real. Para o que ela serve na trama? A avó, a narradora, também parece perdida no meio de tanta gente. E o encanador, bom, também está lá perdido nessa história, assim como a novela que passa na TV, completamente desconectada da trama.

    Joy: O Nome do Sucesso sofre com o excesso de personagens – o que é uma pena, pois Russell se destacou anteriormente pela direção de atores e, em O Lado Bom da Vida, mesmo com um grande time de atores disputando uma mesma cena, conseguiu um resultado excelente. Aqui, o diretor se perde, e o filme resulta tão desinteressante quanto a programação de vendas da televisão.

    O descaso com os coadjuvantes tem outro efeito grave: ele torna excessivo o foco na personagem de Lawrence. Talvez tenha a ver com o fato de que uma das produtoras do filme seja a própria Joy Mangano, o que torna compreensível que o longa-metragem, quando parece que vai acabar, dá um salto desnecessário para mostrar o quão incrível foi o futuro de Joy, a grande heroína do filme. Suspeito, para dizer o mínimo. Mas vale ressaltar que o diretor considera a personagem de Lawrence uma mescla da verdadeira Joy com todas as grandes mulheres da sua vida, o que é uma perspectiva interessante de olhar a personagem. 

    O longa-metragem tem êxito em pelo menos uma coisa: além de ressaltar a injustiça que é designar às mulheres o papel de "dona de casa", ele mostra a importância da família para a realização pessoal do indivíduo. Afinal, embora seus familiares tenham atrapalhado mais do que ajudado, Joy não fez tudo sozinha. Poderia ter sido mais fácil com o apoio deles, mas talvez nada teria acontecido se ela não tivesse uma sala de estar abarrotada de gente para ver o seu esfregão sendo anunciado na TV.  

    | Gabriel Fabri

    Em tempo, no Youtube é possível ver a verdadeira Joy anunciando a sua primeira invenção:



    segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

    O Lado Bom da Vida



    Após ganhar o Globo de Ouro de Melhor Atriz, Jennifer Lawrence fez uma participação especial no programa humorístico Saturday Night Live, onde "zombou" das suas concorrentes ao Oscar, premiação em que também é indicada. Para Naomi Watts, que concorre por O Impossível, a piada é de que "o impossível" também seria Watts superar Lawrence, enquanto para Jessica Chastain, de A Hora Mais Escura, o recado foi: "você capturou Bin Laden. Mas em Inverno da Alma, eu capturei um esquilo e o comi". A brincadeira toda partiu em referência ao discurso de agradecimento de Lawrence durante o Globo de Ouro, em que começou dizendo "eu superei Meryl (Streep)", veterana que também concorria na categoria. Famosa pelo blockbuster Jogos Vorazes, aos 22 anos Lawrence é indicada pela segunda vez ao prêmio com o filme O Lado Bom da Vida, onde, novamente, rouba a cena - mas agora, de um elenco de peso.

    A trama, baseada no livro homônimo de Matthew Quick, conta a história de Pat Peoples (Bradley Cooper), que acaba de sair do hospício e precisa reerguer sua vida. Ele reencontra sua família renovado - lê clássicos da literatura americana, tenta ser otimista em qualquer situação e pratica exercícios de maneira que chega a ser obsessiva, tudo com o propósito de reatar seu casamento com Nikki. Na reconstrução de sua vida, é apresentado para a bela Tiffany (personagem de Lawrence), precisando lidar não só com seus próprios problemas e dificuldades, mas também com os dela e do próprio pai, protagonizado por Robert De Niro.

    Em Inverno da Alma, quando concorreu ao Oscar pela primeira vez, Lawrence carregou o mediano filme nas costas, numa atuação impressionante do começo ao fim. Agora, ela divide os holofotes com outros três atores indicados nesse ano: Bradley Cooper, a australiana Jacki Weaver e De Niro, que não era indicado há 22 anos (a última foi por Cabo do Medo, em 1991). A atuação de Lawrence novamente impressiona num papel de uma pessoa problemática, mas muito forte e com muita vivência. Seu trabalho é cativante e muito memorável, resultando numa Tiffany encantadora. O diretor David O. Russell dirige muito bem o seu elenco e soube se aproveitar muito bem dele - o uso de planos fechados é constante. O close-up desafia ainda mais os atores e, se eles forem bons, permite que suas atuações envolvam ainda mais o espectador.

    Russell, indicado a Melhor Diretor e também a Melhor Roteiro Adaptado, se sai bem transpondo o livro para as telas. Muita coisa muda de um para o outro. No romance, por exemplo, é um mistério o que Pat fez para ser internado (ou porque a música do Kenny G o atormenta tanto) - o personagem não faz ideia e só descobre no final. No longa, logo no começo sabemos o que aconteceu. Outra mudança é a maior presença do personagem de De Niro na trama, em detrimento de outros coadjuvantes, cujo time ganhou o reforço desnecessário de um policial. Por fim, o clímax do filme não é o mesmo do livro - uma inversão de fatores inteligente que contribuiu muito para o funcionamento da obra. A essência, porém, se mantêm a mesma, ou melhor, até se acentua: tratar da loucura a partir de personagens trágicos e problemáticos com sutileza e humor, sem cair no deboche, sem perder a ternura. É um drama muito denso levado no maior alto astral, do jeito que a vida deve ser. 

    Se não fosse por seu elenco de alto nível, talvez O Lado Bom da Vida poderia ser considerado apenas mais uma comédia romântica hollywoodiana inspiradora. De fato, o filme é até certo ponto previsível. Entretanto, é impossível não se envolver rapidamente, não vibrar com seus personagens e não reconhecer que seu elenco leva a obra a outro patamar. Um patamar digno de oito indicações ao maior prêmio do cinema, inclusive o de Melhor Filme. Talvez esse seja improvável, mas Lawrence, que ganhou o Bafta nesse fim de semana, tem sua estatueta quase garantida.

    sábado, 10 de dezembro de 2011

    Noite de Ano Novo

         
           Como impressionar com comédias românticas nos dias de hoje? O diretor Garry Marshall (conhecido pelo clássico Uma Linda Mulher) resolveu tentar repetindo a ousada fórmula da sua última obra, Indas e Vindas do Amor, que constitui em montar um elenco de peso e colocá-los em torno de algum evento especial. Se no primeiro foi o dia dos namorados, em Noite de Ano Novo (New Year's Eve) é a comemoração da data do título no Time Square.
           Atores competentes não faltam: Hilary Swank é a condutora da história, sendo sua personagem a responsável pelo grande evento de Nova Iorque, que contará com a apresentação de Bon Jovi, que está mais interessado na Katherine Heigl do que em cantar. Muitas outras subtramas se misturam sob as peles de Robert De Niro, Sarah Jessica Parker, Michelle Pfeiffer, Zack Efron, Ashton Kutcher, Halle Berry, etc, todos envolvidos em planos para a virada do ano.
           Se originalidade é o que se espera, pode esquecer, esse não é o destaque da obra. Não há quase nada de original, pelo contrário, ela transborda em clichês. Entretanto, se salva uma cena que quebra com o senso comum do espectador e ela é tão única que é até satirizada nos créditos. O grande êxito do filme está em fazer uma montagem primordial do maior número de personagens possíveis, atingindo o maior público possível (leia-se "lucrando o máximo possível"), sem deixar que um deles se torne inútil para a trama. Esse verdadeiro exagero de personagens tem um efeito justificável: deixar uma bela mensagem de ano novo para quem assiste.
          Tal mensagem só funciona, porque o diretor e a roteirista Katherine Fugate conseguiram entrelaçar suas tramas com ritmo e muita competência. No início do filme, a rápida apresentação de tantos personagens põe em dúvida se tanta coisa aleatória faria algum sentido no final, colocando em xeque a credibilidade da montagem do filme. Mas é louvável que eles conseguiram um bom resultado por, na medida do possível, ter feito uma obra envolvente, fofa e agradável, que pode arrancar lágrimas dos olhos de alguns e, quem sabe, inspirá-los para o ano novo.
          Em suma, um conglomerado de estrelas, um roteiro cuidadoso e um diretor competente dão conta do recado de agradar os fãs de filmes que nada mais querem do que ir ao cinema, se divertir e se sentir bem. É como um filme de natal. Só que para o ano novo.