Mostrando postagens com marcador Colin Firth. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Colin Firth. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Uma Longa Viagem



Por Gabriel Fabri

O início de "Uma Longa Viagem" constrói, em pouco tempo, uma agradável história de amor. Um homem solitário contando como conheceu a sua amada no trem, em uma conversa bastante simples e que logo desemboca no flerte. O casal vivido por Colin Firth e Nicole Kidman, nos papéis de Eric Lomax e Patricia, tem química e convence logo de cara. Mas, não, o filme dirigido por Jonathan Teplitzky não é um novo "Antes do Amanhecer", e sim uma obra sobre a guerra e os traumas de dois homens, em lados opostos.


Logo após o casamento do casal principal, Patricia percebe que Eric é um homem perturbado pelo seu passado. Para ajudá-lo, conversa com um amigo dele, Finlay (Stellan Skarsgård, de "Ninfomaníaca"), que serviu com ele no exército britânico, durante a II Guerra, e foi feito prisioneiro dos japoneses junto com Lomax. O homem, após breve relutância, conta a história do ex-soldado para a esposa.

Baseado no livro escrito por Eric Lomax, falecido em 2012, o filme constrói bem o paralelo entre o passado e o presente do personagem principal, alternando os flashbacks com o relacionamento dele com a personagem de Kidman. O ápice dessa montagem é o clímax apreensivo, que intercala dois interrogatórios. A direção, que usa frequentemente de planos bem abertos, imprime força às imagens, embora exagere um pouco em pelo menos um momento: em uma cena em que Eric apanha de um soldado japonês, a trilha sonora escolhida é um canto de igreja, tentando intensificar a ideia de sacrifício, que já estava explícita.

"Uma Longa Viagem" fala, sobretudo, sobre amizade. Mas é interessante notar alguns detalhes, como a fixação do protagonista pelas estradas de ferro. Entender o porquê desse fascínio se perpetuar depois dos fatos ocorridos na guerra pode ser tão intrigante quanto o filme, que apesar de ter uma história que parece um tanto batida, resulta em uma bela obra, que pode até deixar alguns olhos mareados.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Magia Ao Luar


Por Gabriel Fabri

O ofício de um mágico de circo é o de impressionar o público com ilusões - colocando na frente dos espectadores a magia que apenas a imaginação deles, ou no caso um bom truque, poderia criar. Esse entretenimento funciona, assim, como uma maneira de trazer um pouco de distração para as pessoas, estimulando-as a sonhar. O mesmo se pode dizer sobre o cinema, que também trabalha com a ilusão. Por isso, nada mais correto que o alter-ego de Woody Allen, diretor de "Magia ao Luar", ser, nesse filme, o mágico interpretado por Colin Firth.


Firth é Stanley, um mágico bastante famoso do final da década de 1920. Ele se autointitula um especialista em desmascarar farsantes que se passam por videntes - cético e rabugento, ele não acredita em magia, religião e em mais nada que não possa ser cientificamente comprovado. Com ele, é ver para crer. Por isso, ele viaja para o sul da França com o objetivo de desmascarar a bela Sophie (Emma Stone), que dizem ser uma médium de verdade. Entretanto, provar que Sophie é uma charlatã se revela mais difícil do que parecia. 

Allen, diretor com um currículo dos mais impressionantes, continua surpreendendo com seus diálogos afiadíssimos e a ótima direção de atores. Firth e Stone aqui brilham em seus papéis. O cômico cinismo do personagem de Firth e sua personalidade egocêntrica garantem boas piadas, enquanto a interessantíssima personagem de Stone contrabalanceia o ceticismo e a tristeza do outro e conquista rapidamente a simpatia do público com os gestos que faz para ter as suas visões.

O problema de "Magia ao Luar" é que, mesmo com todo o humor característico dos filmes do Woody Allen e as boas atuações, a trama acaba se estendendo demais, e, assim, o personagem principal perde um pouco de seu (des)encanto. A sensação é que o trabalho para lapidar os diálogos foi inversamente proporcional ao trabalho de construção da trama, cuja grande revelação soa forçada e o final fofo e irreverente não foge da sua previsibilidade. No fim das contas, "Magia ao Luar" parece um filme "mais do mesmo" na carreira de Woody Allen, sem agregar nada de substancioso. 

Apesar de ser fraco comparado com muitos outros filmes recentes do diretor, como "Blue Jasmine", "Meia Noite em Paris" ou "Tudo Pode Dar Certo", os fãs do Woody Allen irão se deliciar com os pontos fortes do longa e toda a discussão sobre o quanto o ceticismo e a crença no místico podem ser benéficos ou prejudiciais para as pessoas. Não acreditar em magia nenhuma não é sinônimo de sanidade. E Allen deixa claro que, apesar de toda a descrença do seu personagem principal, ninguém pode viver sem algum tipo de mágica. Escolha a sua, mesmo que ela seja o próprio cinema.

Curta a página do blog no Facebook