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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Olhos da Justiça


Ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010, o argentino O Segredo dos Seus Olhos, longa-metragem de Juan José Campanella estrelado por Ricardo Darín, ganhou uma refilmagem hollywoodiana. Trata-se de Olhos da Justiça (que em inglês manteve o título original Secret in Their Eyes), com direção de Billy Ray, roteirista de filmes como Jogos Vorazes e Capitão Phillips. Embora remakes de filmes estrangeiros recentes tenham fama de servirem apenas para lucrar mais em torno de uma boa história no mercado norte-americano, o longa-metragem de Ray faz mudanças interessantes com relação a obra original. 



Muitas cenas, piadas e a reviravolta do desfecho continuam as mesmas na nova versão, mas há algo substancialmente diferente no remake. A vítima do estupro seguido de assassinato não é mais a esposa de um homem comum, e sim a filha de Jess (Julia Roberts), uma colega de trabalho e grande amiga de Ray (Chiwetel Ejiofor). Os dois trabalham juntos em uma célula anti-terrorista da polícia de Los Angeles. Pelas fotos de um churrasco do departamento, Ray identifica o principal suspeito: um informante da unidade sobre as atividades de uma célula terrorista da cidade. Estamos aqui em 2002, quando o 11 de Setembro ainda era uma ferida muito aberta no cotidiano do mundo inteiro, em especial nos Estados Unidos. 

Só o fato do investigador estar emocionalmente envolvido com a mãe da vítima (e, por sinal, conhecer bem a menina assassinada), já é um ponto que agrega à trama e aos personagens nessa nova versão. Além disso, Jess e Ray trabalham juntos, o que torna também mais interessante as relações de Ray com a nova garota do departamento, a elegante Claire (Nicole Kidman), e toda a condução da investigação. O trio tem química e os personagens funcionam bem - Roberts, no papel da mãe abalada com a morte da filha, entrega uma excelente atuação, enquanto Kidman surpreende em uma cena que é praticamente idêntica à do longa-metragem original: o interrogatório do principal suspeito, após ela perceber que ele, nada indiscretamente, observa o decote de sua blusa. 

Outra mudança interessante é que, no presente, Ray resolve reabrir as investigações. Ou seja, nada de breves reflexões sobre o passado para escrever um livro. Há ação também no presente, sim, com as pistas de um novo suspeito, que a intuição do protagonista indica ser o assassino que deixaram escapar 13 anos antes. Muitas feridas sendo reabertas, com Jess, a mãe da vítima, acompanhando de perto o caso. Detalhes que tornam o desfecho e a sua reviravolta ainda mais impactantes.

Quem assistiu a O Segredo de seus Olhos pode reclamar da falta do humor argentino - que bom que não quiseram copiá-lo! - ou talvez da falta de sutileza da versão norte-americana. Afinal, o detalhe do título, os flertes, os olhares nas fotos, que no filme de Campanella são tão marcantes em alguns momentos não estão presentes aqui, assim como a cena poética do trem, da despedida. Mas tudo bem: embora tenha uns exageros estranhos (Uma stripper com quadros gigantes de peitos em sua casa? Um policial manco que se atira de uma altura ridiculamente alta para forçar algum humor?), Olhos da Justiça tem as suas qualidades. Funciona muito bem, principalmente para quem não viu o filme argentino e não sabe, ou esqueceu, a surpresa que o aguarda no final.

| Gabriel Fabri

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Sétimo



Por Gabriel Fabri

Após estrelar o suspense "Tese Sobre Um Homicídio", que chegou aos cinemas brasileiros em 2013, Ricardo Darín retorna ao gênero em "Sétimo", dirigido por Patxi Amézcua. Nem a presença do astro do cinema argentino, porém, salva o filme de seu roteiro fraco, que não aproveita a história promissora do longa-metragem.



A trama se concentra no prédio em que mora Délia (Belén Rueda), esposa de Sebástian (Darín) à espera dos papéis de divorcio. A mulher deve se mudar com os dois filhos para Madrid, apesar das resistências do seu futuro ex-marido, um advogado que está envolvido em um caso de ampla repercussão midiática. Em um dia em que Sebástian vai levar as crianças para a escola, os meninos desaparecem, ao descerem as escadas do condomínio. Sob a suspeita de que os garotos ainda estariam no prédio, Sebástian inicia uma busca para descobrir quem os sequestrou.

"Sétimo" ganha o público com facilidade, devido às circunstâncias misteriosas do desaparecimento. Entretanto, o roteiro do filme não aproveita as possibilidades narrativas que um sequestro em um condomínio poderia gerar. Nenhum dos moradores parece minimamente suspeito, não atiçando a curiosidade do público e pouco agregando à trama; o personagem de Darín demora mais do que o plausível para suspeitar da mensagem com ameaça que recebeu justo na hora do sequestro; e o envolvimento de Sebástian com o caso polêmico, envolvendo aparentemente pessoas poderosas, fica em segundo plano. 

Assim como em "Tese Sobre Um Homicídio", aqui há também uma tentativa de reviravolta no final, para surpreender o público. Não funciona, e a "solução do caso" é tão absurda que chega a frustar, ao invés de chocar. Esta aí o maior ponto fora da curva de "Sétimo", que mostra que o cinema argentino ainda tem muito o que amadurecer em filmes de gênero, tão sofisticados na indústria norte-americana de filmes e séries. 

Se a relação entre Délia e Sebástian ainda rendesse alguma grande reflexão, "Sétimo" até poderia se salvar, mesmo com todas esses problemas. Mas, diante do resultado apresentado, melhor procurar um episódio de "Without A Trace".   

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Relatos Selvagens



Esse filme faz parte da programação da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
Veja mais filmes da programação clicando aqui


Por Gabriel Fabri

Escolhido para abrir a 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o representante argentino na corrida do Oscar 2015, "Relatos Selvagens", traz seis esquetes com histórias sobre pessoas que, por motivos diversos, perdem o controle diante de uma situação. Com produção de Pedro Almodóvar e de seu irmão, essa comédia de humor negro é dirigida por Damián Szifron.



A história que abre o filme é de longe a mais cativante de todas. O que era uma conversa corriqueira dentro de um avião, logo se transforma em uma situação inimaginável e muito divertida. "Relatos Selvagens" segura a atenção por mais duas histórias, uma que se passa numa lanchonete e outra em uma estrada. Com toques de melodrama, na primeira, e de suspense, na seguinte, Szifron envolve e choca o público, com uma ironia mordaz. 

Em seguida, a esquete estrelada por Ricardo Darín coloca o personagem do ator frente às frustrações do dia-a-dia, com o trabalho, a família, o trânsito, os impostos e, principalmente, o guincho. Aqui, o filme diminui o ritmo e também as doses de absurdos, em comparação com as outras histórias, mas a irônica surpresa do desfecho compensa a quebra na adrenalina proporcionada por essa esquete. Darín se destaca mais uma vez em sua atuação e o filme agrega novas camadas às principais questões da obra, como a vingança, por exemplo. É o episódio que mais se parece com o humor refinado de muitas comédias argentinas exibidas em festivais ao redor do mundo. 

A comédia dá lugar a um suspense político e policial na penúltima esquete, que destoa completamente do resto do filme, a não ser pela aproximação com o tema da vingança, aqui colocado frente a frente com o da tema da "justiça". O absurdo e o humor das outras esquetes são ausentes nesse episódio, e o choque se dá pelo realismo de toda a situação. É interessante, mas parece um peixe fora d'água. 

Por fim, o humor negro e as situações absurdas retornam na divertidíssima esquete final, que encerra o filme com chave de ouro. "Relatos Selvagens" tem um bom roteiro, com bons momentos de comédia, mas é uma obra um tanto irregular, principalmente por conta da penúltima esquete. Entretanto, não é sempre que vemos o cinema argentino, sempre muito cuidadoso com os diálogos e um humor sutil, com o universo hiperbólico de Almodóvar.

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Diário 37ª Mostra - Vol. 2



O diário da 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo continua! Nesse volume 2, mais dicas de filmes para assistir. De clássico de Kubrick a filme argentino com Ricardo Darín, tem para todos os gostos. 

Pop with Popcorn, pelo segundo ano consecutivo, traz algumas dicas para os nossos leitores não ficarem por fora do maior evento de cinema de São Paulo. Nessa edição, teremos uma série de pequenos "diários" com os filmes vistos a cada dois ou três dias. Para acompanhar as atualizações, é só ficar de olho na nossa página no Facebook (clique aqui), ou acessar o blog com maior frequência. 

Confira o nosso 2º especial da jornada:


 
5) Dr. Fantástico

A 37ª Mostra tem na figura do diretor norte-americano Stanley Kubrick seu maior homenageado. Lançamento de livro, exposição no MIS e retrospectiva fazem parte do especial. Vergonha não assistir a pelo menos um clássico do diretor na tela grande, né?

Dr. Fantástico é filmado em preto e branco e conta a história do iminente fim da civilização na Terra: um general de alto escalão do exército americano ordenou um ataque nuclear à URSS, sem saber que os soviéticos haviam desenvolvido um sistema que devastaria o mundo caso eles fossem atacados. Diante dessa situação, o presidente norte-americano buscará alternativas para impedir o ataque que pode devastar toda a humanidade. A maior parte do filme se passa numa sala de reunião, onde diálogos, ora cômicos, ora sérios, dão o tom da trama.



6) O Que Os Homens Falam

O primeiro grande achado da Mostra é essa comédia argentina, do diretor Cesc Gay. São várias esquetes reunidas, todas retratando homens em crise. Adultério, separações, virilidade, casamento, impotência, problemas emocionais... Uma série de problemas do universo masculino, expostos com humor inteligente, nesse longa sustentado basicamente pelos diálogos afiados do roteiro.

O ponto fraco é o desfecho, que deixa muito a desejar. Após um desenvolvimento excelente, terminaram o filme de qualquer jeito. O que foi, talvez, o pior jeito: tentando amarrar aqueles personagens desconexos. Final chinfrim para uma comédia de alto nível.

O destaque é para esquete com Ricardo Darín, a mais hilária e criativa do longa.



7) O Garoto Que Come Alpiste

Representante da Grécia no Oscar, o filme é um retrato da crise europeia, personificada na figura de um homem que se alimenta com comida de passarinho. Não se trata de um filme de acontecimentos, com enredo, mas sim de uma experiência sensorial, repleta de closes e planos detalhes. Acompanhamos a rotina do personagem tentando sobreviver. Se ele come alpiste e não pão ou lixo parece fazer parte da escolha de retratá-lo, muitas vezes, como um animal, à beira (ou já dentro) da loucura. 

O plano final do filme traz a imagem de uma estátua sem cabeça e sem mãos, tombada. Só esse pequeno detalhe sintetiza toda a força e a crítica do filme: os gregos estão derrubados, imóveis e loucos.


8) A Garota do 14 de Julho

Uma das surpresas da Mostra, esse filme francês, que integra a competição de novos diretores, trata da crise europeia de maneira oposta à de O Garoto Que Come Alpiste: com muito humor negro, situações absurdas e referências a Kafka e Godard. Desemprego entre os jovens e recessão econômica são o plano de fundo para esse road movie divertidíssimo, que lembra muito as comédias hollywoodianas.  

Veja também: Diário da Mostra, Vol. 1

Volte em breve para conferir mais dicas da 37ª Mostra. 


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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Tese Sobre Um Homicídio



Por Gabriel Fabri

A televisão americana, de uns anos para cá, vem conquistando elevado prestígio entre os cinéfilos e cineastas. Com séries inovadoras como Lost e 24 Horas, ou  refinadas como Damages e Mad Men, é difícil ignorar a relevância que esse modelo adquiriu. Entre os vários programas que tentam vingar e sobreviver à dura prova da audiência, os de investigação criminal são um dos mais bem sucedidos. CSI, Criminal Minds, NCIS, The Closer, Cold Case, Without a Trace - são apenas alguns exemplos de tantos que, semanalmente, tratam de resolver um crime diferente, sempre com o objetivo maior de trazer novamente o espectador sete dias depois. Na mesma onda de investigação criminal, chega ao cinema o argentino Tese Sobre Um Homicídio, do estreante Hernán Goldfrid.

Ricardo Darín é Roberto Bermúdez, um professor de direito criminal. Em sua nova turma de pós-graduação, ele terá como aluno Gonzalo Ruiz (Alberto Ammann), filho de um casal amigo. À princípio, os dois se dão bem, mas Roberto começa a suspeitar do outro quando um corpo de uma garota assassinada é descoberto no estacionamento da faculdade.

Logo no início do filme, o personagem de Darín explica que, numa investigação criminal, o juiz deve prestar atenção nos detalhes. O diretor seguirá essa premissa à risca ao marcar, repetidamente, uma série de objetos, com muitos closes. Além dessa marcação um tanto exagerada, Goldfrid aproveita para colocar os atores sob uma lupa, pois não são raros os planos detalhe, em que apenas uma parte do corpo aparece. O recurso é quase didático, escancarando os elementos que serão usados novamente no filme e, no caso dos atores, permite um maior envolvimento com a história. Uma boa sequência é a que se passa no Malba (Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires), onde o diretor aproveita as obras para fazer planos interessantes, criando ilusões de ótica com as obras.

Longe de ser um O Segredo dos Seus Olhos, filme de investigação com Darín que recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Tese tem uma trama bem simples e um ritmo de blockbuster hollywoodiano. A técnica hitchcockiana de antecipação do suspense, crucial numa cena lá pela metade da projeção, e a trilha sonora para acentuar esse clima são apenas alguns exemplos do que torna o longa ágil. Num crime onde a polícia não consegue encontrar suspeitos, acompanhamos a jornada de Roberto para provar que o seu aluno é culpado. O roteiro funciona muito bem para tornar a obsessão do personagem plausível e interessante, enquanto o uso dos closes colabora para que o espectador fique do lado de Darín e encaixe as peças do quebra-cabeça da mesma maneira que o personagem.

Darín e Ammann estão impecáveis em seus papéis. O primeiro conduz todo o filme e não titubeia quando a câmera chega perto, para pegar um olhar ou alguma expressão. O outro mantém a dubiedade de parecer ser o assassino e uma pessoa inocente ao mesmo tempo, quase indecifrável. Calu Riveiro, que faz a irmã da vítima, também se destaca.

Mas o clímax do filme é problemático. Pouco empolgante, é o momento em que o espectador começa a questionar toda a investigação feita até então, mais por uma sutil incongruência à respeito de um objeto do que por mérito do roteiro ou da direção. Na tentativa de criar uma reviravolta, o diretor perde um pouco a mão, embora o desfecho seja crucial para que Tese não caia na vala comum dos filmes de investigação.

Tese Sobre Um Homicídio revela uma faceta mais comercial do cinema argentino. Ele não provoca o espectador ao longo da projeção, apenas o vai guiando conforme as teorias e descobertas do protagonista. Só no seu final, em aberto, que o longa lembra que não saiu de uma série de TV e, assim, questiona sutilmente tudo o que foi mostrado anteriormente. Questionamentos que já estavam lá antes, mas o diretor não pois a câmera bem em cima deles para esclarecer.  

Leia sobre cinema argentina na reportagem escrita por Gabriel Fabri, diretamente de Buenos Aires, clicando aqui

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Elefante Branco

     
Em julho de 2012, tive uma oportunidade de viajar a Buenos Aires, Argentina, pesquisar um pouco do cinema local e sua recepção. O resultado de conversas com professores, cinéfilos e cineastas foi uma grande matéria publicada no Plano Crítico (clique para acessar), que conclui que a diferença do cinema brasileiro e argentino não é lá tão abismal quanto a recepção mundial dos dois aponta. Numa das entrevistas realizadas, o cineasta e diretor da Universidad del Cine na cidade portenha, Bebe Kamin, na época apontou Pablo Trapero (Abutres) como um dos grandes nomes da cinegrafia local. O novo filme de Trapero, Elefante Branco (Elefante Blanco), mostra uma outra semelhança entre os dois países, no aspecto social: as favelas.

Na trama, Ricardo Darín (O Segredo dos Seus Olhos) é Julian, um padre que há anos presta serviço social numa gigantesca (e violenta) favela. Preocupado com sua saúde, recruta o francês Gerónimo (Jérémie Renier) para trabalhar com ele e ajudá-lo a levar paz e tranquilidade para o que estima serem 30 mil moradores. Contarão com a ajuda da assistente social Luciana (Martina Gusman).

Filmes que mostram um pouco da rotina das favelas já são conhecidos, como Cidade de Deus e Quem quer ser um milionário?. Tendo em vista isso, a trama é focada nos dramas dos três personagens que dedicam sua vida ao trabalho social nesse ambiente e se sentem frustados com o que conseguem. Trapero abre os olhos do espectador para aqueles que estão nesse ambiente por escolha, com um objetivo difícil de ser alcançado, e mostra os obstáculos na construção de uma obra tocada pelos protagonistas, em meio a conflitos internos e com a polícia, com o governo, com os operários, os moradores e a própria igreja.

A direção é fria, há um grande distanciamento entre o público e os moradores da favela. Isso evidência o caráter rotineiro dos problemas intrínsecos ao ambiente e permite o foco no drama dos personagens principais, mas sem apelar para fortes emoções no relacionamento entre os três. Há uma boa construção de situações envolvendo os protagonistas e o meio em que atuam, entretanto o final, totalmente inesperado, é o que ficará marcado na cabeça dos espectadores. E como todo bom filme, dará uma razoável margem para reflexão.

Elefante Branco traz uma nova abordagem ao tema das favelas. Entretanto, um tema tão próximo da sociedade urbana fica parecendo muito distante, apesar da aproximação do espectador com os personagens principais. Talvez pela falta de mobilização social como a dos personagens, que não conseguem se realizar ao tentar amenizar um problema tão grande. O filme é, em suma, um aviso de quantas partes estão envolvidas nesse problema e precisam mudar de atitude. E no fundo o espectador sabe que é o cidadão, não o da favela mas o de fora, que precisa reivindicar essa mudança.